sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

DANCEI COM ELA

 

Ela era a adorada de todos
a feiticeira da alegria
Tinha amor e malícia a rodos
tinha corações cativos como freguesia.
Amei-a quando me sorriu
amei-a quando me puxou para ela
não sei o que sentiu
sei a confusão que senti nos seios dela.
Com ela dancei nessa noite estrelada
no meio do fumo no salão da aldeia
ouvia chamar-me com voz entaramelada
ouvia murmurar palavras como teia.
O espanto era ela de curvas perigosas
um corpo estreito que me cabia na mão
que ora ia ora vinha num cheiro a rosas
que cavou fundo no meu coração.
Dancei com ela nessa noite de despires
no quarto rasca sem lençóis de linho
beijei-a em mil sentires
e segui o meu caminho.


Jorge d'Alte


sábado, 25 de janeiro de 2025

ONDE ESTOU,ONDE ESTOU EU?







Foi um mundo de sombras bailarinas
que me acolheu no pesadelo
Onde estou, onde estou eu?
Rios de sonhos vieram ter comigo
depois do grito, o vazio encheu
um simples cintilar como olhares de garinas
torceu-se como cobra num duelo
onde estou, onde estou eu?
O suor na testa o cabelo como trigo
sentei-me no vazio foi o que aconteceu.

As sombras
sempre as sombras
qual delas sou eu?
qual delas sou                                                     
                                                                                  

Eu
o pesadelo abortou.


Jorge d'Alte

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

BEIJEI








Beijei uma rapariga
numa noite amanhecida
perdi o meu mundo pequenino.
Tinha cabelos de espiga
tinha lábios de papoila e vida
achei outro mundo sibilino.
Corri atrás dela pelas veredas
olhos de mar no corpo ondular
não queria perder de a amar.
Amarfanhei minha alma nas labaredas
ás três  da madrugada depois de oscular
ganhei uma vida a dois depois de me dar.


Jorge d'Alte

domingo, 5 de janeiro de 2025

O OLHAR

Aquele olhar
olhava profundo
esse mar que vinha
doente e imundo.
Crianças inteiras
apanhem o sangue 
de mortos e moribundos.
Onde estão os vossos risos
os sonhos e os sorrisos?
Os rostos comedidos
choram na saudade
murmuram lendas nas palavras
olham os céus que fogem nas nuvens
a esperança qual brinquedo de criança
brilha nos olhos grandes, pequenos, tristonhos.
Algures Deus não perdoou
e o pecado assumido
fez de nós, de mim
aquilo que somos, que eu sou.


Jorge d'Alte                                                                      

CANTA-ME UMA CANÇÃO

Canta-me uma canção. Canta-me esta canção de uma moça que desapareceu como truque de ilusionista diz-me; posso ser eu? Olho o meu corpo e só...