Ela era a adorada de todos
a feiticeira da alegria
Tinha amor e malícia a rodos
tinha corações cativos como freguesia.
Amei-a quando me sorriu
amei-a quando me puxou para ela
não sei o que sentiu
sei a confusão que senti nos seios dela.
Com ela dancei nessa noite estrelada
no meio do fumo no salão da aldeia
ouvia chamar-me com voz entaramelada
ouvia murmurar palavras como teia.
O espanto era ela de curvas perigosas
um corpo estreito que me cabia na mão
que ora ia ora vinha num cheiro a rosas
que cavou fundo no meu coração.
Dancei com ela nessa noite de despires
no quarto rasca sem lençóis de linho
beijei-a em mil sentires
e segui o meu caminho.
Jorge d'Alte


