sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

BISONHO

 






A noite e o silêncio
trazem-me a calma
trazem-me o leito branco
trazem-me lábios e o encanto
a silhueta recortada na sombra
como que dançando no abraço
memórias de ti quando te sonho.
Os olhos abrem-se num sorriso de cio
capturam o ínfimo da tua alma
desbravam palavras que arranco
e grito na magia de um pranto
a orgia de um peito que me assombra
sou uma alma envergonhada um ser bisonho.


Jorge d'Alte

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

FELICIDADE

 



Quando todos os seus sonhos fracassam
e as cartas já foram lançadas para jogar
quero  esconder de ti a verdade, o sofrer
quero proteger-te, não há onde nos escondermos.
Não importa o que fazemos quando nos arrasam
somos almas periclitantes até alguém nos caçar
somos feitos de ganância de medos podes crer
e amar é o pecado a inocência que perdemos.
Olha os meus olhos, são armadilhas para atrair
olha os meus lábios, são eles que falam são eles que beijam
quando as luzes se apagam e as mãos o corpo encontram
são demónios que espicaçam a libido no sentir do meu calor.
As sombras vêm e cavam agruras na alma, a iludir
fomos anjos antes do amor vir, somos demónios que rastejam
pois muitos virão apontar disfarçados com mil caras e afrontam
não te quero dececionar não te quero dar a minha dor.
Não sei como fugir disto, mostra-me como o posso fazer
quero a tua luz agora mesmo antes do endoidecer.
Tenho que te deixar ir?
Tenho que te seguir?
Diz-me só,
esta é a minha mó!
Com ela triturarei a realidade
talvez então encontre a felicidade.


Jorge d'Alte





segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

RAIVA

 



Veio a tempestade de mil adamastores
a sua raiva era tanta que caíram lágrimas na dor
arrasou a alma talhando-a em torrões
despojados de serem o que eram
lâminas de sentimentos.
Depois sibilou a saliva como espuma da onda que se quebra
e no delírio deixou-se levar  até não haver mais fim.


Jorge d'Alte

sábado, 21 de fevereiro de 2026

NÃO

 



A terra tremeu
o meu mundo rachou
estriou veias por todo o lado
verteu lava como pus
infetou o coração
quando alguém gritou alto
Não!
Rasgando o silêncio puro.


Jorge d'Alte

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

ROSA DE SANGUE

 



Quando os oceanos são distantes
e as marés te procuram trazendo-te nas vagas
contando nossas histórias de lá desses horizontes
memórias que se espatifam na mente dilacerada.
Não há como negar que eu perdi tudo
queria-te de volta enxugando as lágrimas que eu choro
tentei jogar o teu amor fora
mas não consigo
não consigo por mais que me despreze
não é o que parece é somente uma mentira
que cresce no coração violando a alma desesperada.
És uma rosa de sangue que nunca morrerá
serás chama na escuridão da noite
e darei tudo por ti
não tenho medo das sombras  sozinhas
que adejam acenando-te para vires
e se tu escutares nesse lugar
sabe que daria tudo para estares aqui
foram bons tempos e tudo perdi
estás a lidar com um coração de pedra
Porque fui assim
porque te dei um beijo e te disse adeus?
Tentei desprezar o nosso amor foi isso?
Não tenho sonhos porque já não sonho
só me martirizo no profundo do meu íntimo.
Vem e enxuga-me as lágrimas e eu sorrio no teu olhar
será a armadilha que te fará beijar-me
depois rosa sangue chamaremos a nossa lua de novo
não sentiremos as brisas nem o silêncio
sentiremos os toques amantes do meu amar.


Jorge d'Alte

domingo, 15 de fevereiro de 2026

QUE NADA NOS FERISSE DE ALGUM JEITO

 



Quando o céu se abre
e as estrelas voam
quando a lua é feita de leite na noite crua
não te sintas triste disfruta dela.
Quando as lágrimas nos apertam na emoção
quando os passos não andam na desilusão
quando os copos afogam e nos escondem
procura as memórias e divide-as
as boas e as más
e encontrarás novos mundos de sentires
depois é só escolheres e seguires.
Quando te encontrares beija a tua alma
enche-a de alegria e paz
a felicidade vem do vento mar
como o cheiro da maresia que nos envolve
nos deixa estasiados como o ópio. 
Espero que cada dia nos abrace
e traga o nosso anjo da guarda
que nos guie e traga lembranças de alguém
das coisas que fazíamos
das coisas que dizíamos
que nada nos ferisse de algum jeito.


Jorge d'Alte 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

NÃO DESISTA

 




Quando a noite é sua
depois de um dia longo
quando os pensamentos se cansam
e você chora; toda a gente chora
quando se sofre sozinho
quando tudo parece errado
quando queremos desistir
de tudo, desta vida
sofremos, pois todo o mundo se magoa
no abismo que se abre no coração
não se deixe levar nas tristezas, nas saudades.
Encontre um ombro amigo
você não está só
mesmo quando está roído pelo desespero.
Não desista de si na noite que é sua
pois existem memórias
dançando como anjos na sua mente
deixe os demónios para trás 
toda a gente sofre, mas a vida é muito mais.
Procure a alegria do sorriso do amigo
escute as suas palavras
e nessa noite longa que é sua
sobretudo não desista.

                                                                                 

Jorge d'Alte










quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

FUI Á ESCOLA

 




Fui á escola e estava muito nervoso
ninguém me conhecia
crianças esperando pela professora
Olá!
As vozes rezaram no bom dia dado
O barulhar dos papéis
o pousar dos livros novos dos lápis aguçados
atravessaram os meus ouvidos como cochichar 
Sentado direito e atento
aprendi que podia fazer amizades
que havia sorrisos que cativavam
que iria aprender a juntar números e letras
que nas minhas mãos estava o meu futuro
que na minha mente estaria tudo o que faria o meu caminho.


Jorge d'Alte

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

INDO A LUGAR NENHUM

 




Escondo a minha cabeça
quero afogar o meu sofrimento
mãos tremulas agarram nela
olhos cerrados são cegos
num rosto degastado.
Acho muito difícil dizer-te, não me peça
de dizer que um dia vou encontrar o momento
e os sonhos no qual estou morrendo por ela
eu acho difícil de aguentar, são pregos
cruxifixos que me moldam assustado.
Sento e escuto
sou um mero puto
sem amanhã e triste
ergo minha voz em riste
neste meu mundo louco
um passo pouco a pouco
indo a lugar nenhum
indo cabisbaixo a lugar nenhum.


Jorge d'Alte

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

PÁSSARO SEM ASAS

 





Hoje senti-me como um pássaro sem asas!
Como anseio por voar
para te encontrar no luso fusco
esvoaçar o meu amor
afagar-te as penas como se fosse pele
esgrimir o meu bico como beijo no por de sol.
Como anseio por te ter na minha alma
sentir o mundo e o tudo de quem me ama.
Voei tantas vezes dentro do nosso sonhar
tu e eu dançando como demónios junto ao luar
frementes de desejos, de paixão, de amor
por ti sou ave sem asas de voar.
Quando me abraças forte é quando sei que tudo está bem
que cuidas de mim como flor no teu regaço
que o teu olhar é meu no sorriso que te dou.
Hoje senti-me como um pássaro sem asas
já te disse sem falar, apenas as letras o disseram
as forças soçobraram na minha agonia
como uma criança sem mãe
deixado sozinho, chorando como as crianças choram.
Tu és e serás  a minha luz
e á tua volta voarei como traça, por isso bati asas
voei na noite e na madrugada até que te vi no chão da viela.
O candeeiro estalado de luz mortiça mordia o teu corpo embriagado.
Choraste quando pousei na pedra gelada e húmida
quando chamei teu nome na minha dor
quando te ergui nos meus braços e te levei, sem asas de voar.

                                                                                             
Jorge d'Alte


domingo, 8 de fevereiro de 2026

COMQUISTADORES


Os povos olharam os mares.
Cruzaram-nos indiferentes ás tempestades
e quando sentiram que a morte sem comida e água ia chegar
encontraram um novo mundo para amar no horizonte escabroso.


Jorge d'Alte

sábado, 7 de fevereiro de 2026

QUANDO SOU SILÊNCIO

 





Quando sou silêncio
quando o som desmaia na alma
tu levas-me para as altas montanhas
levas-me até ao céu da amizade
e o carinho se move pelos caminhos das veias
como rios cantando nos meus ouvidos.
Os monstruosos mares da tristeza da mágoa e das saudades
se paralisam como lagos do teu olhar.
o seu brilhar me hipnotiza levando-me agradecido á vida.
Já não quero ver essa morte
quero que me leves ao norte
quero que me dês esse ombro
a mão quente quebrando o meu gelo 
e nas auroras das minhas emoções
te possa admirar
te possa chamar
te possa dar
um dia um ombro para chorares.


Jorge d'Alte








sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

ALMAS DO MESMO CESTO




Antigamente a pobreza era de todos
De pés descalços havia um livro que nos ensinava.
A inteligência fez o resto.
Deu-nos  esperança a rodos
e quanto mais se pensava mais o mundo avançava
Pena só que não sejamos almas do mesmo cesto.


Jorge d'Alte

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

MUNDO BELO


O nosso mundo é belo!
Até as tempestades são belas.
Muitas vezes o horizonte acaba ali
numa qualquer esquina.
O homem que Deus colocou neste mundo
errou na maçã.
Aí o belo chamou-se Eva
e a tempestade que sobreveio chamou-se amor.


Jorge d'Alte

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

O SINALEIRO


No século passado era vê-los
em cada cruzamento com sua mão erguida
calçada com luva branca.
Muitos chamavam-lhes cabeça de giz
pelo uso do seu capacete branco.
Muitas vezes pensei que me pudessem guiar na minha estrada.
que me pudessem parar quando saia errado nas decisões
e me mostrassem o caminho
não queria avenidas de soberba e nariz empinado
queria apenas uma simples viela onde na sua tortuosidade 
pudesse sentir que eu era mesmo eu, as emoções
muitas eram de desespero e o horizonte enfunava na tristeza e frustração
outras eram sol o tal que dava vida ás almas
e aí eu era feito de alegria e a felicidade vivia nos meus olhos.
Um dia quando a madrugada se enfeitava de perolas e névoas
ela apareceu no meu caminho.
Vi sua mão calçada com luva branca como que me acenando.
Aí o tempo parou!
O meu caminhar solitário acabou.
Seguimos o novo caminhar a dois
e aí despedi-me do meu policia sinaleiro com um piscar de olhos
olhos que riam
olhos que choraram
olhos que a viram
olhos que acasalaram.


Jorge d'Alte











terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

A ENCRUZILHADA




Foi assim que me perdi
dentro da minha alma
era o gelo e o frio que a toldavam
não havia ali vivalma nem o clique
quente que amaciasse os meus pensamentos
que animasse as minhas emoções
que criasse a energia que me levaria até á luz.
Debalde tentei no balbuciar 
encontrar o caminho para amar
A luz o sol era ela mas as sombras de mim
escondiam-na de mim atarantado na encruzilhada.
Deixei-me escorregar no gelo e na neve
levado no caminho longo do talvez.


Jorge d'Alte

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

O MENINO


Ele era o filho da rua
De pés descalços batia na agreste pedra
caminhos duros para tão tenra idade.
Fez da aldeia a casa sua
fez com o seu cão uma amizade que medra
trabalhava no campo não queria caridade.
O seu sonho era ser médico por isso estudava
enrolado no frio que a noite dava.


Jorge d'Alte

CANTA-ME UMA CANÇÃO

Canta-me uma canção. Canta-me esta canção de uma moça que desapareceu como truque de ilusionista diz-me; posso ser eu? Olho o meu corpo e só...