terça-feira, 23 de setembro de 2025

ERA EU


Era eu que estava ali
perante os poderes do céu
ofusquei-me nas estrelas
como me tinha ofuscado quando a vira.
Foi amor o que senti
o jogo foi feito na dança do véu
depois voamos, eramos como elas
riscando a profundidade ao som da lira.

Senti a imensidão na minha alma
esse poder que só o amor provoca
eramos grandes na paixão suada
fomos o elo que nos juntou.
E nestes sentires em amalgama
fomos como barco que roça a doca
foste sempre a minha amada
neste cruzeiro doce que ao coração aportou.



Jorge d'Alte











sexta-feira, 19 de setembro de 2025

OS HERÓIS

     


Nas trincheiras cheias de sangue

as veias incham de medos e adrenalinas

a cabeça rebenta com os estrondos das bombas.

Caem como chuva traçada com os tiros

O corpo rasteja nas lamas, fugidio

e o frio! o frio come-nos a alma

e a alma refugia-se nas paranoias das memórias.

Agarra-me amor quando o beijo se faz, se dá e os lábios se colam

o amor é a boia para sermos livres nesta guerra

é a paixão no meio da cordite no fragor da morte.

A água! essa água que nos bebe o calor

e o calor esmorece na alma na rigidez.

Deus! Deus escuta os meus medos

oro as preces de suplicar, dá-me a minha paz.

Corro na trincheira, um caminho cavado para nada

o perigo vem dos ares conspurcando o meu céu.

Cai o amigo do lado, cai esvaziado sem som.

Quem era, que mundos tivera, que segredos vivera

e a chuva, sempre a maldita cai em forma de neve.

Os pés! os meus pés sangram em podres botas

as mesmas botas que um dia marcharam num dia de sol

garbosos lá íamos rumo ao pôr do sol.

Esfarrapados e mortos de fome, disparamos contra os peitos    

Meu Deus, matar porquê? Porque há monstros neste mundo?

Nós somos os Heróis! Os heróis que lutam pelo mundo

pela fé, pela lei, pela terra sagrada, pela paz, por ti meu Deus.

                                            


Jorge d'Alte 






terça-feira, 16 de setembro de 2025

IMBECILIDADE


Quando ambos eramos nós
e vivíamos na lua
carregávamos as nuvens
não de chuva mas de catervas de desejos.
O nosso leito era feito de mil e uma cores do arco-íris
como mil um sentimentos se escreviam nos corações
e era amar assim
era beijar a boca em lábios carmesim
era escutar passarinhos na cabeça
sussurrando as palavras que o vento nos dava
e as paixões constantes tolhiam o horizonte.
Onde tínhamos os sonhos?
onde estava a vida?
onde vivia o desfrutar?
essa paixão louca de amar?
onde estávamos nós?
se vivíamos na lua
num limbo de imbecilidade.


Jorge d'Alte










segunda-feira, 15 de setembro de 2025

IMPLORANDO


Enraizados nas sombras 
olhávamos a lua de leite.
O rio murmurante devolvia o luar
num céu nervoso, plúmbeo e raivoso.
Enraizados nas sombras
esticávamos os galhos ondulantes
tais como braços de náufragos
em plena tempestade implorando.



Jorge d'Alte

domingo, 14 de setembro de 2025

ERA PRIMAVERA


Era Primavera
de sóis e luares
de borboletas e flores.
Tal como eles eramos simbioses
nos sorrisos e nos beijos
nos abraços e desejos.
Era o que era
depois dos amares
os sabores dos rios a alma das cores
os verdes do campo os olhos em poses
os corpos torrados e rijos
um mar de ensejos.

Era Primavera
que tudo trouxera
quando na madrugada
caímos da lua até á geada.


Jorge d'Alte








sexta-feira, 12 de setembro de 2025

BEIJANDO A ALMA



                                   


Fora numa pedra como as outras
redonda fácil de abordar.
Estava sentada nela a silhueta
era linda nas sombras
e amorosa no coração.
Houvera sol e dias e crepúsculos
houvera pedras com esquinas dolorosas
onde a silhueta fora vermelha
da cor do sangue chorado
rolado no esgar do choro.
Fora nessa altura que houvera duas silhuetas
na frescura do rio plangente
abraçadas na terra húmida de húmus
falando brisas de ternura
beijando a alma como lindos beija-flores.

                                                                                          

Jorge d'Alte

SONHO

 

 

 

O sonho de ontem fora azul

Azul da cor dos nossos olhos

Ansiosos e famintos da doçura do amor.

Mas hoje dividíamos beijos e sorrisos

Entre linhos singelos bordados

Com pétalas rubras do desejo.

O intruso bateu á porta

Seria um pesadelo?

Sou o Presidente, o dos livros!

Vim ver a sua coleção

Este aqui não tenho e aqueles não li

Entregou-os ao seu hirto guarda-costas.

Queria impedi-lo, mas a voz derretia-se

Nesse tempo que já não era nosso.

Agora caçava nos céus

As estrelas perdidas no breu

Eram as almas.



Jorge d'Alte

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

OS FANTASMAS


Estes fantasmas eram vermelhos
como vermelhos eram os lábios dela
viviam numa casa de madeiros vermelhos
esteios do seu amor por ela.
Fui lá ter caminhando no sangue que batia
era o ritmo do coração sob a Lua vermelha
a noite apressada como que fugia
os fantasmas dançavam sobre a telha.
O sonho não era dela nem meu
os fantasmas eram passados nas memórias
podiam ser vermelhos no diabólico eu
mas nos nossos beijos eram apenas pedaços de histórias.


Jorge d'Alte
















SAUDADE

 

                                                   




Quanta tempestade

quanta bonança

queimaram o teu corpo sem remissão

O nevoeiro da idade

esfumou a lembrança

mas tu ardes sempre em saudade, no coração.


Jorge d'Alte

domingo, 7 de setembro de 2025

AMIZADE SEM FIM

 



Desejava que estivesses por aqui
as conversas que tínhamos
quando o sol se afundava langoroso
sobre o que desejávamos
sobre raparigas que nos desossavam a alma
sobre empregos e vícios
sobre o álcool que não bebíamos
sobre as festas de garagem
eram nossos estes bons tempos.
Lembro-me bem das nossas lágrimas
um amigo tinha morrido na guerra 
um caixão de madeira, a condecoração
uma bandeira cobrindo-o 
o esquecimento de uma pátria.
Também tu partistes num ano futuro
mas qual foi a tua morreres sem mim
sem um adeus um beijo um abraço
sempre agarrado ao fumo que te acabou.
Morreste tão novo num dia sem fim
sem eu te escutar sem pegar na tua mão
sem cantar os poemas que vivera-mos
até os olhos se fecharem.
Cravaste em mim esta dor na surpresa
uma saudade que me perde
quem vem enxugar as lágrimas que choro
dia e noite  meu amigo do coração.
A pedra branca protege-te das intempéries
mas o frio come a vida sem calor 
Choro sem lágrimas e estas correm-me nas veias
como no dia em que colamos nossos sangues.
Sonho-te, sonho-te! quero que estejas aqui
mas os sons veem acavalados nas imagens
ouço-te chamar pelo meu nome
tento agarrar esse sonho
é mais fácil de te chegar
de brincarmos juntos com os arcos
correndo como o vento corre
atrás dos papagaios de papel
as nossas cores o azul e o amarelo
sempre juntas esvoaçando.
Essa era a nossa profunda amizade
por ti fiz tudo, mesmo quando tudo já não era nada.


Jorge d'Alte








sexta-feira, 5 de setembro de 2025

FOI ASSIM QUE TE AGARREI


Corri atrás da lua
palmilhei esse mar
sabia que a lua se molhava 
naquela linha de verruga
o meu horizonte.
Aí podia brincar com ela como tua
cantar-lhe as palavras do poeta; amar 
afagar esse rosto que eu amava
sorver o seu íntimo como sanguessuga
dar a boca ao beijo como ponte.

Foi assim que te agarrei
quando a lua adornava entre mar e céu
quando os olhos brincavam com os teus
e os sussurrares enchiam o meu peito
e eram lágrima.
É assim que te amarei
juntaremos nossos corpos, um Ilhéu
os teus sonhos serão os meus
os abraços ardem no sangue deste jeito
o nosso caminho será a nossa esgrima.


Jorge d'Alte









terça-feira, 2 de setembro de 2025

SE HOJE CHOVESSE



Se hoje chovesse
e o sol não se esquecesse
a minha alma  cantaria
e a ela juntaria
uma flor                                                            
a sua cor
para que crescesse
das suas raízes florescesse
que não a deixasse perdida
a criasse com vida
a amasse com coração
lhe desse a emoção
o tremor do seu vigor
o gosto pelo amor.


Jorge d'Alte

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

MORTE

 


Se a noite já era escura
sem lua nem estrelas
nem a rua tinha a luz baça dos candeeiros
porquê esta tortura
por ver eles e elas
rodeados de sombras e nevoeiros.
Tudo desfeito, tudo desaparecido
e no fim do som, um grito estarrecido.
A morte tem a sorte de ser morte
tem mil e uma maneiras de morrer
mas escolhe sempre a pior sorte
e mata a doer, trás saudades e tristezas e o sofrer.


Jorge d'Alte

CANTA-ME UMA CANÇÃO

Canta-me uma canção. Canta-me esta canção de uma moça que desapareceu como truque de ilusionista diz-me; posso ser eu? Olho o meu corpo e só...