Ele era assim escanifrado
plantado como árvore no meio dos trigais
Suas raízes longevas prendiam-no
á sua terra, ao casario escorrido, á lua branca.
Houvera um tempo de lindos sonhos á lua matutina
canções como passarinhos mordendo-lhe os ouvidos
murmurando caminhos, velhas runas de sorte
houvera escolas e adolescência.
As suas folhas eram sentimentos ramificados por ali
foi ao olhar para cima que viu a lua vespertina
trazendo-lhe no passar da brisa o cheiro do amor.
Ela era feita de tecidos brancos, cambraias transparentes
correntes de vento que o atavam como molhos de tojos
ceifados para não ferirem os corpos; o meu e o dela.
Foi assim que numa noite já ida nos amamos
os olhos sorriram esbatendo o luar
os lábios se abriram para beijar
a boca foi campo de batalha a digladiar
foi eco de diálogos dos corações.
Depois foi corpo ardendo numa lava louca
até que a madrugada trazendo a neblina e a geada
nos acoitou dento do nosso sonho de amor.
Jorge d'Alte

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