Mãe! Onde vais tu?
Onde vais tu mãezinha?
Deixaste-me neste chão sujo
agora só consigo agarrar o eco dos teus passos
não te posso seguir pois não tenho pés
vou ficar aqui neste chão gelado
vou fechar os meus olhos adormecer
sentir a maminha a acontecer
chupar o leite morno no calor do teu odor
na doçura do teu colo nas canções que me embalavam.
Já não te vejo e a luz não existe no meu olhar
não ouves as minhas lágrimas a tilintar o meu medo?
Onde está o teu amor esse tal que sempre me aqueceu
vejo o escuro e os monstros das sombras
já não vejo as estrelas nem a lua muito menos o mar e as ondas.
Mãe acho que vi o meu anjo!
é lindo!
é loiro como tu
quer dar-me a sua mão.
Posso?
Um dia falaste-me de sonhos, será isto um sonho?
O pai partiu!
não o vi mas sei.
O anjo diz-me que está no céu...
Já ganhei as asas e subi!
Mãe onde estás tu!
Mãezinha porque me abandonaste?
por não ser como as outras, não poder andar?
Por chorar desde pequenina, por não ter o meu pai?
Sei que sempre me amaste e agora?
Sabias que sei contar os beijos que me davas, os abraços?
Sei que tínhamos sempre fome
ouvia-te chorar baixinho
sentia a tua mão quente afagar-me a aflição a falar.
Mãe aconteceu algo!
Sou agora luz junto ao pai.
Já não tenho medo nem esse mundo que nunca compreendi.
Mãe estão a falar-me de perdoar
Mãezinha, eu perdoo-te!
Amo-te como sempre amei
Quero que sorrias e fales comigo pois estarei sempre ao pé de ti.
Jorge d'Alte






