Poeta
a emoção recordada
num estado de espírito tranquilo
e no entre isto e aquilo
a meta
está ou não está inerente
na prosa rimada
do que realmente se sente!
Jorge d'Alte
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Poeta
a emoção recordada
num estado de espírito tranquilo
e no entre isto e aquilo
a meta
está ou não está inerente
na prosa rimada
do que realmente se sente!
Jonel 28/08/09 F. Numão
Arribas suspensas sobre casario adormecido
onde as sombras se encolhem em ruas apertadas
que gingando se espraiam até longas avenidas.
A idade fere essas pedras gastas e enrugadas.
As cores, outrora garridas, perecem agora num tom esmaecido
enquanto que lá em baixo, as lágrimas perdidas
correm em correntes d'ouro e redemoinhos, levando-as até ao mar.
A maresia sobe em ventos, com gaivotas a pairar
trazendo ás gentes desta cidade, novas desse mar
onde pequenos barcos ondulando vogam, de cá para lá
trazendo nas suas redes e arpões, peixes a saltar.
E de quando em vez ,as gentes estão lá
perdidas na praia, gritando a Deus, que não os leve já
e que a tormenta rebentada
que explode na praia num turbilhão,
não traga na espuma que fica
o nome querido, de gente afogada
nem a perda do seu ganha pão,
As lanternas brilham, os gritos morrem
e as rezas choram o até já
enquanto que de joelhos na água salgada, as almas imploram e sofrem.
No outro lado, nas grandes avenidas, fica a gente rica
Os shoppings enchem-se de gente de outra vida.
Enfardam-se os papos, de gorda comida
Vêm-se cinemas a abarrotar
e a lufa lufa do dinheiro, lá vai enchendo os sacos.
Escadas chiando rolam sem parar
e a azafama stressa, em pequenos nacos.
Nos amarelinhos, partimos numa viagem por trilhos
Monumentos desfilam, entre praças, parques e jardins.
Lojas brilham entre roupas e afins
E se queres sarilhos
então visita os bairros erguidos
onde em janelas espreitam, gente boa e foragidos
Subindo e descendo em penosas colinas deparamos com a Sé
onde antigamente, o gentio se arrastava em fervorosos actos de Fé
Mas descendo agora as velhas calçadas, de pedra cortada
vemos o antigo, muralhas bolorentas e a grande arcada
e bem lá em baixo corre pachorrento até á barra, o Douro, nosso rio
trespassado por pontes que unem a vida
e por baixo, nas margens alcantiladas
os cafés, os bares as tasquinhas por jovens e velhos são procuradas.
E olhando essa grandiosidade, sinto um longo arrepio
tantas histórias guardadas, tanta dor suportada, tanta história vivida
e com orgulho, enfrento a agreste nortada
que me arranca dos olhos, lágrimas de verdade
e mesmo que esses ventos, a minha voz abafem
eu grito mesmo sufocado, esta é a minha "Invicta e Nobre Cidade"!
E para aqueles que nela vivem, que a merecem, sentem e sabem
ela será para sempre, a nossa amada!
Jonel 13.09.09
Vi outro dia teu rosto deformado!
Aquilo que fora ternura e amor
era agora rosto encolerizado
era fogo rubro no sol pôr
Triste perguntei-te o porquê de tudo isto
e tu me respondeste que era o teu ciúme
que te roía por dentro como um quisto
e ateava essa chama no teu lume
tudo porque eu tinha sobrevivido a ti, minha dor
e era agora feito de alegria e ternura
essa luz reluzente cheia de cor
essa meiga vontade que em mim perdura.
jonel 11.11.09
A areia range sobre o meu peso
os passos outrora decididos
são agora sombras marcadas no passado
A agrura da vida cava rugas no meu rosto
por onde algumas vezes
as lágrimas escorreram como rios
Ao meu lado as ondas num vai vem
parecem destinadas a levar-me também.
O seu marulhar como ode á tristeza
puxa os meus sentidos em tentáculos estendidos
cada vez mais fortes, cada vez mais audazes, decididos
O seu cântico enfático acelera o meu passo
e o ranger ritmado torna-se bater compassado
perfumado pela maresia que me envolve
como bruma cega onde nada se sente e se enxerga
Então como bálsamo a brisa vem ter comigo
suavemente bate-me no rosto
abana meu corpo para me acordar
murmura-me nos ouvidos aquilo que eu sinto
abre-me a ferida num grito consentido
lava-me a alma com pétalas de ternura
e com carinho dá-me a mão devolvendo-me á vida.
A tristeza estremece indignada
Não querem ver que esta danada
me vai trair e levar esta alma de novo a sorrir?
A brisa em fúria sacode-a no vento que agora ruge
no auge da tempestade que me colhe
A tristeza avarenta e amarga dá lugar á esperança
que agora brilha no meu olhar.
A areia range sobre o meu peso
os passos lentos são decididos
na sombra que cresce atrás de mim
a tristeza insiste mas não tem sorte
porque a brisa chamava-se amor
e esta cura todas as feridas, toda a dor!
jonel 20.11.09
O barco da vida levantou ferros do cais do adeus
levando lá dentro um amor que feneceu
As velas içadas levavam enfunadas
recordações vivas e passadas
Vivencias adornadas por ventos contrários
que ora eram ternuras, carinhos, beijos
ora eram essas palavras duras e iradas,
na tua mente inventadas
Descendo o rio em direcção ao mar
levo toda a tristeza presa no olhar
e nem mesmo o vento me arranca
esta dor que cá dentro avança
como doença ruim que aos poucos me mata
e de horizonte em horizonte
sempre com o sol por detrás
o meu rosto será sempre sombra
essa sombra que á frente está
não deixando entrever a agonia atroz
que lentamente me cava na alma
Jonel 23.12.09
Canta-me uma canção. Canta-me esta canção de uma moça que desapareceu como truque de ilusionista diz-me; posso ser eu? Olho o meu corpo e só...