sábado, 29 de novembro de 2025

DISSERAM



Disseram que um de nós partirá um dia
que a dor doerá no adeus de quem ficar
Num silencio aprenderá a existir
que as memórias não se reescrevem
quando o tempo se gastou.


Jorge d'Alte

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

PALAVRAS LEVADAS

 



Lá fora o vento sopra girando
e chia nos meus ouvidos
deixa o corpo no desconforto
tira o calor do sangue e mete o frio.
Canto-lhe as desditas quase gritando
amarroto-as  na voz em momentos ávidos
o som esquece-se e sai como aborto
leva-me as palavras que não digo mas crio.
Criei-as quando fui amado
criei-as quando flui no corpo quente
e o vento as levou
ninguém as escutou
como folhas ao deus dará  fui siado
arrancado desse torvelinho pungente.


Jorge d'Alte

terça-feira, 25 de novembro de 2025

UM DIA SEREMOS ESTRELAS

 



Tapei-te os olhos
com as mãos
esvoacei no teu pescoço
com murmúrios
senti tua boca arrepiar-se
num gemido ávido.
Rodeei teu corpo e face a face
vi esse brilho num olhar de mar
depois quis amar nas tuas coxas
brancas como um luar.
Sei que o tempo foi tempo
que a nossa juventude
se esqueceu de nós.
Não sei quantos sóis se quebraram
quantas noites ficaram com estrelas.
Pequenos nos sentávamos
perto do moinho com velas 
girando sem tempo no tempo
Escrevíamos cartas de mel
com o sangue dos corações
palavras que te traziam
palavras que me levavam.
Hoje no nosso inverno sós
escrevemos ternuras com a voz
falamos com o olhar doce
aquecemos na lareira o nosso amor.
Um dia seremos estrelas 
hoje olhamo-las com a saudade.



Jorge d'Alte











quinta-feira, 20 de novembro de 2025

SINCERIDADE

 



Ergueu-se diante das mentiras
queriam-lhe enredar, pobre moço
o céu estilhaçou-se num clarão de fogo
era a raiva, era a frustração, era a audácia.
Lá fora o vento sopra em tiras
clareia o ar remove-as do moço
sua voz arrastou-se e espinhou-se logo
com o seu sorriso violentou-as com eficácia.
Com o seu amago carambolou-as para a verdade
com a verdade destruiu esse ror que o feria
ergueu-se de novo refeito das mentiras
deixou-as espantadas nas bocas dos outros.
Içou ombros no orgulho nessa tarde
expressou no olhar o que sentia
afastou-se agastado de uns e outros.

Afinal o rugido mais forte fora a sinceridade.



Jorge d'Alte

terça-feira, 18 de novembro de 2025

QUIS O DESTINO







O vento furacão
lutava com o trovão
mas fora o relâmpago 
que me fascinara.
A mente se abriu em carradas
eram chuvas ou lágrimas choradas?
Eram memórias do meu amago
era a saudade que ali ficara.
fora ela que se deitara ali
foram beijos onde me perdi
seus cabelos que se encaracolavam
eram vagas, nuvens de amar.
O vento furacão
resmungava em trovão
tinham sido almas que se amavam
quis o destino que se finasse no mar.


Jorge d'Alte






sexta-feira, 14 de novembro de 2025

SERIGAITA

 






Ela era a serigaita em flor
respondona por tudo e por nada
ladina como poucas.
Sempre que sentia aquele ardor
ficava danada
fazia orelhas moucas.
E lá ia ela resmungando
de braço dado como poucas
puxando e abraçando nas sombras
esperando o mel na ponta da sua boca.
Gemebunda acariciava murmurando
a vida dela era curta de vistas, coisas loucas
a paixão pelas penumbras
desejo numa cabeça oca.


jorge d'Alte


terça-feira, 11 de novembro de 2025

EXPECTATIVA

 



Hoje é o dia da expectativa.
Será que sigo a vida
ou serei ocaso sem por de sol?


Jorge d'Alte

PERDA




E partiste
num dia alegre como o teu sorriso.
Chorei a perda dentro da minha alma
não quis conspurcar com as lágrimas
a dor a solidão de todos
não quis e não quero que a memória
que levo de ti seja o teu final.
Não
Não vi no teu rosto a morte 
por isso serás sempre alegria no meu coração.


Jorge d'Alte

(dedicado á Linda)

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

CADA RAIO

 



Cada raio que aquece o teu rosto

trás a luz ao íntimo da minha alma

sorve-o no beijo

trás o meu desejo

e ama-o.



Jorge d'Alte

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

SOMBRAS






Estava sentado lado a lado com a minha sombra
tinha a língua embaraçada nas palavras, na nicotina e do etílico
assim era melhor dizia  a minha alma burlada no olhar
fascinada pela luz e aninhada na meia sombra
tinha os olhos raiados e um correr de lágrimas eclético
afinal a noite viria, comeria meus medos com sombras para me dar
Nas sombras das sobras um corpo a dançar
um copo na mão uma viagem no amar
sem palavras no vento ou murmúrios nos ouvidos
somente ecos de desvelos dos tempos idos.



Jorge d'Alte

CANTA-ME UMA CANÇÃO

Canta-me uma canção. Canta-me esta canção de uma moça que desapareceu como truque de ilusionista diz-me; posso ser eu? Olho o meu corpo e só...