quinta-feira, 30 de abril de 2026

O AZEITEIRO


Todas as manhãs lá vinha
atrás no som de cascos na gravilha.
Seu burrito resfolegava 
era um troço que cansava
Olha o azeite, o álcool e o vinagre
apregoava o azeiteiro no cheiro acre
Lá vinham elas, as Donas acenando
juntavam-se no redor coscuvilhando.
Quanto vai ser? Perguntava!
Três quartilhos pedia a Dona vendo se não era enganada.
As conversas continuavam acesas
O burrito lá ia ao fundo com as suas latas presas.
Olha o azeite o álcool o vinagre; apregoava distante
Olha o azeite o álcool o vinagre: apregoava radiante.


Jorge d'Alte








quarta-feira, 29 de abril de 2026

SOU LIVRE

 



Sou livre
cruzo relaxado os céus
voo ao sabor da  corrente
que como rio se estende chocalheiro
entre as pedras rugosas e roladas.
Sou livre
pouso nos píncaros olho os meus troféus
caço nas estepes rasgando espaços indiferente
sou a águia orgulhosa e astuta de asas enfunadas.
                                                                                        
                                      

Sou livre
posso voar até ao meu sol
perder-me nas memórias de uma vida
sou livre
até que o final me leve num por de sol
até que a mortalha me seja servida.

                                                               
                          

    
Jorge d'Alte

segunda-feira, 27 de abril de 2026

A MINHA LUA E O MEU SOL

 




Meus passos estão cada vez mais cansados
os anos caem como estrelas cadentes
o rosto canta as rugas
mas o sorriso esse vive sempre
por isso caminho ao teu lado
mesmo que o coração me aperte e doa 
pois és e serás sempre a minha lua e o meu sol.


Jorge d'Alte

quinta-feira, 23 de abril de 2026

ESCRITO

 



O lápis escrevia as minhas letras
letras miudinhas cheias de muito
palavras que extravasavam a minha alma
onde elas cresciam juntas num rio de texto.
Contavam memórias e histórias de como ser feliz
de como amar no turbilhão do nosso peito
no arco iris de um jeito de sentires apaixonados
de como voar num sonho até ao teu peito e ninar.
Sentir a tua boca a descer e os meus lábios a fremer
vogar enternecido na tua língua onda que me afoga
que me afaga o sangue fervido no auge e perdido
em entrelinhas resvalo na emoção de te ter escrito.


Jorge d'Alte

quarta-feira, 15 de abril de 2026

DEIXA O TEU SORRISO

 

Deixa o teu sorriso
cobrir-me como manta
e no seu calor há amor
deixa o coração bater e beijá-lo
com as minhas mãos agarrá-lo
num fim de dia endiabrado.

                                                                                           


Mesmo que a lua não venha
nas sombras da noite escura
eu vou nessa procura e vou achá-lo
vou neles embriagar-me num amor doce
lábios sem espinhos boca sem ar
abraço de regozijo  alma a viajar
sem fronteiras nem abismos apenas liberdade.


Jorge d'Alte

quinta-feira, 9 de abril de 2026

O PRINCÍPIO E O FIM


Era a ave que voava
livre e sem rumo
Vi toda uma vida
do meu alto.
Vi o principio e o fim
no momento súbito 
em que as asas pararam de bater.

Jorge d'Alte

terça-feira, 7 de abril de 2026

DEFINHADA


Nasci quando o sol pousava
depois perdi-me na escuridão. 
A luz veio tarde demais
a geada queimara meus quereres
e definhada sucumbi na aragem.


Jorge d'Alte

segunda-feira, 6 de abril de 2026

UMA MIRAGEM CONTIGO

 


Falar sobre a perda
expressares emoções
são medos que se herda
divididos em porções.
Sempre me lembrarei de ti
como doce tesouro meu
tudo o que fazíamos por aí
íamos da terra ao céu.
Sempre me lembrarei de ti
deste modo em noites de amor
tu sendo desejo desde que te vi
eu magoado em imensa dor.
Não tinhas o direito de ser anjo
de voares em bando como as andorinhas
comendo as primaveras que abranjo
deixando-me num mundo de ervas daninhas.
Hoje ceifei o nosso trigo
colhi o húmus que me davas
fiz com o coração uma miragem contigo
deixei a noite buscar-me como quando me amavas.


Jorge d'Alte

quinta-feira, 2 de abril de 2026

OLHA-ME NOS OLHOS

 


Quando tocares o meu calor
olha-me nos olhos com amor
deixa-o encher o meu coração
deixa o teu beijo ser paixão
e abraça-me sem lágrimas tristes
mas sim cheias de sorrisos que sorristes.


Jorge d'Alte

CANTA-ME UMA CANÇÃO

Canta-me uma canção. Canta-me esta canção de uma moça que desapareceu como truque de ilusionista diz-me; posso ser eu? Olho o meu corpo e só...