quinta-feira, 31 de julho de 2025

VIDA DE MÃE

 


Na sombra dessa tua lágrima
existe ternura e muito mais
rosário de tristezas e alegrias
alma amordaçada de fadiga.
Tantos sonhos desfeitos ao virar da esquina
mas sempre a palavra amiga ouvi
os conselhos que traçaram o meu caminhar
a mão que me ajudou no tropeçar.
Por detrás desse teu lindo sorriso
existe canseiras e muito mais
noites passadas de aflições, sonhos e alegrias
vincadas nas rugas do teu rosto.
Quantas vezes nesse rosto vi a dor
a sorte que te fugia entre os dedos
cruz que estoicamente suportas sem gemidos
aceitando o fel amargo de um destino.

Por detrás desses olhos cansados
existe resignação e muito mais
fome de amor, carinhos e alegrias
esperando receber sem esperar
Ai quantos sonhos sonhei para te dar
aquilo que o destino te roubou
soletrando-te as feições busquei teu nome
como o fiz no alvor da vida
e um dia, pequenino te chamei
Mãe!


Jorge d'Alte

quarta-feira, 30 de julho de 2025

HISTÓRIA




No meio do monte linda donzela
brincava sorrindo na manhã perdida
sua face rosada tão pura tão bela
o fogo corava numa carícia.

A flor cortada de um lindo encarnado
ela colhia formosa e gentil
depois lá rolava na relva do prado
em busca de amores num mundo tão vil

Sentada nas margens do calmo ribeiro
fazia raminhos com suave ardor
e á sombra de um antigo e frondoso salgueiro
um moço risonho lhe chamou amor
Ah! meu principezinho encantado
seus lábios beijava perdidamente
O aroma da bruma os envolveu
e juntos ficaram eternamente
gozando as delícias que Deus lhes deu
Ah! minha donzela que tinha encontrado.

Sobre as rochas sobre o mar
trancinhas fazia meiga e palpitante
pensando naquele que fora lutar
trilhando caminhos numa vida errante.


Jorge d'Alte

terça-feira, 29 de julho de 2025

QUIZ VOAR E NÃO PUDE

 



Quis voar e não pude
empunhei ousado a minha voz
quis consagrar um amor eterno
mas foi tudo em vão.
Como luz que na alta noite
bruxuleia e se esvaece
assim sonhei este sonho
que ao alvor da manhã padece.
às grandezas de um ideal
meu coração se armou
mas no real dia a dia
o seu fulgor abortou.
Resvalei num profundo abismo 
onde a fé debalde grita
mas seu eco encheu meu peito
e da centelha criou vida.
Vida que agora eu vivo
no fragor da multidão
leva-me de um lado ao outro
como naufrago na escuridão.
Sofri nesta dor como amei no teu sorrir
borboleta tonta em volta da luz
cega no seu luzir.


                                                                         

    


Acordei nuns lábios de rosa
entrelaçado nos seus espinhos
da sua alma desponta o amor
que juntou os nossos destinos.



Jorge d'Alte

segunda-feira, 28 de julho de 2025

COLO DE MÃE


Como é bom o colo de mãe querida
traz-nos calor e a magia ao coração
Oro por ela, só, na escuridão
de todos os amores a mais preferida.


Jorge d'Alte

TEUS OLHOS DE MULHER




Os teus olhos de mulher
São como chama a arder
onde tocam é só colher
deixando a alma a sofrer.
Enamorei-me de ti
com ardor
logo que te vi 
com amor.

Contigo dancei
contigo amei.


Jorge d'Alte

sábado, 26 de julho de 2025

APRENDER


Foi com o avô 
que aprendi
que a vida existe em muitos lados
mesmo numa flor a abrir.


Jorge d'Alte

QUANDO







Quando á noite
os olhos fitas o céu
que vais tu procurar
no espaço imenso
onde a lua reina
das sombras rasgando o véu.

Quando de manhã
á aurora fúlgida olhas o céu
que pensas tu encontrar
no espaço férvido
onde o sol reina
das trevas rasgando ilusões.

Quando junto ao cedro
teus lábios pousas nos meus
que tentas tu desfrutar
no espaço ávido
onde a paixão reina
dos corpos rasgando emoções.


Jorge d'Alte

sexta-feira, 25 de julho de 2025

SOLIDÃO


     

Solidão!

Este negro silêncio que me esmaga
este negro sem cor
sem som sem luz
que me abafa.
       Este ar sem oxigénio
       sem vida
       sem brisa
       que me acaba.

                                                    Este negro sem poema
                                                    Sem música ...

Este negro que me há de vestir
este viver sem sol a sorrir
este rumo sem horizonte
este falar sem eco
este nada que me isola
este passar de dias que me envelhece
este estar só que me há de enterrar.



Jorge d'Alte











quinta-feira, 24 de julho de 2025

A GAIVOTA


Os meus olhos iam
    Dentro daquela gaivota que partia
        triste, rumo ao horizonte.

O nosso amor ia
     na ponta das asas daquela gaivota
         que partia
               e voava rumo ao sol


Jorge d'Alte

segunda-feira, 21 de julho de 2025

MEU CORAÇÃO


Meu coração é um vulcão
explode de emoção e comoção.
Seu fogo me aquece na paixão
amando nos sonhos, para lá da ilusão.


Jorge d'Alte

ENFRENTEI O NORTE E A MORTE


O tempo vergou-me,
mas não me venceu
Agarrei minhas raízes ao chão árido
ergui-me ao céu de hoje
despojei-me das duvidas e dos medos
deixei  as tristezas e o coitadinho nas estrelas
Voei meus sonhos como nuvens
enfrentei o norte e a morte
e no vento deslizei nas dores como oração.
Hoje vivo erguido
enfrentando o norte e a morte.
Agarro a lua como se fosse ela
a vida que me rega e faz crescer
que me leva das madrugadas sofridas até ao entardecer
e os beijos que dou
os abraços que agradeço
são notas que canto na surdina do sofrer.


Jorge d'Alte

domingo, 20 de julho de 2025

ROSA


Ela era a Rosa bela
que ao luar estendia
roupa bem lavadinha
no fio que bem estica
Seu castelo  a casa dela
com um gato por companhia
roçagando em adivinha
o amor que sempre fica.
Lá vai ela ao luar
os seus amores espantar
sacudindo suores frios
paixões que como rios
a vinham emprenhar
em noites de luar.


Jorge d'Alte

sábado, 19 de julho de 2025

PESADELO


O pesadelo
minou-me quando as pestanas dos olhos se cerraram.
Ficou por ali em mil tons numa aguarela tenebrosa.
Era de gelo
e no frio me congelou, numa barbárie de dentes , garras que me caçaram.
Afinal eram véus que me falavam, num mundo sem sons, sem prosa.


Jorge d'Alte

quinta-feira, 17 de julho de 2025

A LOJA DE SONHOS


Um dia parti á procura de sonhos.
Não que não os tivesse,
mas sempre que neles tocava
desfaziam-se no ar como névoa.
Percorri montanhas, rios, vales, até o mar.
Triste e cansado parei numa aldeia.
Parecia não haver vivalma por ali
sentei-me numa pedra escaldante
levantei os olhos e li aquilo que vi.
Estava escarrapachado "loja dos sonhos".
Bati nessa porta ainda incrédulo
que soubesse os sonhos não se cozinhavam 
como poderiam ser vendidos se os tínhamos que conseguir.
Um chiar arrepiou-me, a porta estava a abrir-se:
Meu Deus, o sonho apareceu-me no seu vão.
Era feito de sorrisos sorridentes
dentes nevados e cabelos loucos ao calha.
Havia porém um olhar com olhos
mas que olhos e já agora lábios vermelhos de paixão.
Seria um sonho de anjo evoluindo no meu céu?
Entrei no seu abraço preso na lama do querer
senti o bater do seu coração, era apertado como o nó:
era um nó que me apertava a garganta
fazendo as palavras escorridas
as pernas bamboleantes e as mãos sedosas.
Soube que era o meu sonho
por isso fechei a porta com os pés
não fosse alguém querer o mesmo sonho.
Seria que era um sonho, ter este sonho?
Debati-me ali;
as dúvidas vieram como nuvens cheias
a angústia moía-me o coração
este estava parvo de todo
tinha uma obsessão; eram os lábios.
Sabia que se os beijasse seriam dele
ou seriam dela se as línguas se trocassem?
Não tive tempo para escutar
a minha alma era dela e estava ali a fermentar.


Jorge d'Alte








quarta-feira, 16 de julho de 2025

DRAGÕES E CAVALEIROS









Sempre voei nos píncaros dos sonhos
minhas asas brancas batidas rumo ao horizonte
levaram-no no voo ao quente terreiro.
Caminhando saiu da escuridão 
no sonho sonhado tinha a forma de um dragão.
Na corrente dos ventos deixámo-nos levar
mergulhamos na alvorada, no ocaso, no entre
com espadas feitas de amor lutamos
contra inimigos, sombras serpentinas, demónios.
Minhas asas brancas de sonho sonhado
são translucidas como véus de fino gelo.
Refratam no poente essas cores mágicas
que nos levam no sono a um idílico dia.
Vem dragão vem comigo voar
as correntes nos levam
as correntes nos trazem
os ventos libertam-nos
dando-nos essas asas de sonhar.
                                                             

                  
Quebrou-se a casca e o Ovo se abriu
abriu os olhos e o cavaleiro viu.
Cambaleante caminhou o primeiro passo
dragão cavaleiro um único laço.
Venham daí pequenos dragões
deem o vosso primeiro passo
dragão cavaleiro um único laço
um só coração.

                                                                                          


Jorge d'Alte

domingo, 13 de julho de 2025

O QUE FAZIAM ALI


Os nus eram diferentes
os vestidos também o eram.
Afinal o que faziam ali?
Sombra também não faziam
se era paixão para quê as toalhas!

Jorge d'Alte

sábado, 12 de julho de 2025

GOTA








A brisa da manhã soprou
na orla do caminho que trilhava
guiando meus passos sem destino
juntando nossas faces numa gota.
Num sopro de vento esvoaçamos
no murmurar das ravinas deste rio
vida que cresce e se divide
no trilho do nosso destino.
                                                                              
Quando te vi, doce gota
sussurrando dentro de mim
soube que irias ficar
ao meu lado dentro de mim.

O sol da alegria brotou
das sombras esguias que eu espreito
guiando meus sentimentos num destino
juntando nossas bocas neste beijo
Num golpe de emoção esvoaçamos
no marulhar dos escolhos deste mar
amor que cresce e se divide
em frutos seres deste amar.



Jorge d'Alte

O BAILE




Ai meu eu amor
tu prometeste
que ias ao baile
dançar comigo.
Ao baile não foste
para casa não vás
vem meu amor a lua agarrar.
                                                                          
         

E foi aí que te confessei
meu amor por ti
e ao luar te beijei.


Jorge d'Alte

quinta-feira, 10 de julho de 2025

DANÇAR



 
Dançar era o sonho dela
Rodopiou, girou, deslizou
dançando uma vida inteira até á Eternidade.


Jorge d'Alte

HÁ QUANTO TEMPO

 


Há quanto tempo já não te via
longe vai o tempo em que te queria
Tínhamos treze anos quando te pedi
aquele beijo e tu fugiste.
Oh! como recordo o que então senti
no meio da festa, só e triste.

Lá na escola tu me sorriste
eu perguntei-te porque fugiste
tu confessaste que fora por amor
e eu confiante te aceitei com fervor.
Oh! como recordo esse terno momento
no recreio da escola fui passatempo.
                                                                                  
Era verão e nós lá na praia                                             
no meio da malta de mini saia
Vem! tu me chamaste aperta-me perdidamente
dá-me tudo que em vão procurei loucamente.
Oh! como recordo apaixonadamente
no meio da praia corpo ardente.

Há quanto tempo já não te via
longe vai o tempo em que te queria
tínhamos vinte anos quando vi
que não me querias e então parti.
Oh| como recordo sofrendo na escuridão
buscando teus olhos cinza, em vão.


Jorge d'Alte

ROCK MOÇA ROCK





Rock, rock moça, rock
escuta o vento que trás os murmúrios
que nos trás sonhos passados
adolescentes amores
e as nossas aventuras de amor.

Rock, rock, moça rock
o amor, amor é um jogo fácil
mas é jogado a dois
traz-nos do íntimo um novo sentimento
que dos peitos, junto aos lábios vai morrer
então nova madrugada vai brilhar
e a dança das nossas lágrimas
o fogo da esperança 
os sonhos, esses que sonhamos durante muito tempo
sorrirão para sempre nos nossos corações.


Jorge d'Alte

                                                              

terça-feira, 8 de julho de 2025

A ESCOLHA



 


Num dia frio de março
numa idade que me apoquentava
vesti-me de quem era
uma moça perdida num abraço
rezando por carinho que tardava
por isso usei rostos como fera.
A inocente
a provinciana
a mulher fatal
a que sente
a de paixão leviana
a escultural.

Sei que nesse dia chorei
chorei de emoção, alegria
olhei para ele e corei
escolheu-me pelo que era e não pelo que eu fingia!


Jorge d 'Alte

domingo, 6 de julho de 2025

A CASA



 
Num entardecer
quando a foleca caía 
a dama olhava serena
a fachada daquela casa.
Que estaria por detrás que a fazia tremer
que tolhia seus passos enquanto gemia
retalhos de alma que vincavam a cena
que sentimentos seriam, que tudo arrasa.


Jorge d'Alte

sexta-feira, 4 de julho de 2025

LOLITA



 
Foi num dia belo junto ao lago
quando o sol se pusera
que me apaixonei por ela
a cadelinha abandonada
que fitava o horizonte.
As festas que lhe fiz foram o bago
que minou o coração que a quisera
que a encheu de uma alegria singela
e a amizade cresceu obstinada
e corre nas veias como no monte.


Jorge d'Alte

quarta-feira, 2 de julho de 2025

QUANDO A LUA SE PRENHA



 
Quando a lua se prenha
e a neve se silencia no breu
tudo é calma menos eu
pois as memórias vêm e tudo se engenha.
São traços que te revelam, o nascer do teu rosto
e como estrelas tenho os teus olhos faiscando
deixando a paixão nos meus lábios, sôfrego mosto
os teus ombros agarro com mãos ansiando.
Quisera eu que houvesse brisa com o teu nome
que as folhas voassem num bailado e o meu rosto encostado no teu
trouxesse lágrimas salgadas como mar da minha fome
e voássemos  no sonho que sufraga o teu amor e o meu.


Jorge d'Alte












terça-feira, 1 de julho de 2025

O FIM DE TUDO


Encontrei um dia no inesperado o fim do mundo
era um olho enorme com um sol lá dentro.
Era ali o fim da humanidade, da vida que vivemos?
Não havia som neste silêncio fecundo
havia palavras na minha mente como ecocentro.
Fiquei ali como mono, seria que sobrevivemos?


Jorge d' Alte





CANTA-ME UMA CANÇÃO

Canta-me uma canção. Canta-me esta canção de uma moça que desapareceu como truque de ilusionista diz-me; posso ser eu? Olho o meu corpo e só...