empunhei ousado a minha voz
quis consagrar um amor eterno
mas foi tudo em vão.
Como luz que na alta noite
bruxuleia e se esvaece
assim sonhei este sonho
que ao alvor da manhã padece.
às grandezas de um ideal
meu coração se armou
mas no real dia a dia
o seu fulgor abortou.
Resvalei num profundo abismo
onde a fé debalde grita
mas seu eco encheu meu peito
e da centelha criou vida.
Vida que agora eu vivo
no fragor da multidão
leva-me de um lado ao outro
como naufrago na escuridão.
Sofri nesta dor como amei no teu sorrir
borboleta tonta em volta da luz
cega no seu luzir.
Acordei nuns lábios de rosa
entrelaçado nos seus espinhos
da sua alma desponta o amor
que juntou os nossos destinos.
Jorge d'Alte
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