trouxeram dor aos meus olhos
gritei na alma o meu sufoco
tremi nas palavras que esvaí
e eles sempre a dançar sempre a moer.
Os danados queriam festa
arrancaram-me os pés da terra
bailaram comigo no seu fogo
assobiaram nos meus ouvidos
os silvos das agonias
tiraram-me os sorrisos e implantaram-me os esgares.
Depois morri?
Não sei, mas os demónios da cabeça sabiam
trouxeram solidão aos meus olhos
gritei na alma a minha mágoa
tremi nas palavras que criei
e eles sempre a dançar sempre a roer
os danados queriam teias de mim
arrancaram-me os sentimentos com rasgos
baralharam-nos como jogador de cartas
assobiaram ventos na alma
os silvos de tinares de ribeiras de lama
tiraram-me dos lábios amores que beijei
Não sei se morri!
dói-me o coração por ti
e os sonhos são secos de amor
por isso os demónios dançam-me na cabeça
trouxeram-me a dor ao coração
penei na noite a ansia pela paz
meu ser chora a toda a hora
lágrimas que ainda não chorei
e cego fiquei até te ver.
Jorge d'Alte







