Deixai passar esta louca
a demência da desgraça
deixai que o ar que inspira
venha afagar sua cara.
Ei! mitigai-lhe um pouco a dor
que no âmago do peito ferve
dai-lhe um pouco do vosso amor
dai-lhe o rumo que carece.
Seus vestidos são brancos como a face
onde a dor arde sem notar-se.
Os seus olhos sem esperança
arrancam beijos de lembrança.
Ei! olhai em volta deixai passar a doida
quem não vê nos seus olhos desejos
a paixão que lhe escalda os seios
de quem não compreende seu ardor.
Seus olhos baços não têm cor
a luz que neles brilha não têm calor.
Na solidão desta curta vida
não existe trilho por onde siga.
Ei! deixem passar esta doida
que de esperança só tem a paz da campa
deixai que o ar que a encanta
a afague suave e a alivie
a paixão que lhe sufoca o peito
deixai que o algures se lhe alie
e alguém possa amá-la desse jeito.
Jorge d'Alte
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