sexta-feira, 1 de agosto de 2025

NÃO BATAS COM A PORTA

 



Não batas com a porta
não me deixes só
por favor não vás embora
pois não sei viver sem ti.
Acordei cheio de sonhos
no perfume do teu corpo
a roupa caía em flocos
como neve na estrada que se abria,
na mala aberta ao pé da cama
saudades de ti já tinha.
Lembro-me como hoje
o nosso encontro junto á lua alta
teus passos trôpegos inebriados
trilharam o caminho até aos meus braços.
No vasto ambiente de perfumes cheio
nas leves asas da ligeira brisa
tu me beijaste ao nascer desse dia.
Olhos negros me seduziram
o sorriso me cativou
escravo fiquei do teu fogo e charme
paixão que nunca esfriou.
Pergunto-me agora que mão é essa
que me acena nos meus sonhos
quando a alegria sorria feliz
com a força de um amor primeiro
ébrio de gozo de febril paixão.
Vejo decisão no teu olhar
tua mão voa trémula e abre a porta
do adeus atroz de quem parte e fica
deixando um rasto de dor e mágoa.
Com meu olhar suplicando
amor não  passes essa porta.
Não, não me deixes só
por favor não vás embora
pois não posso viver sem ti.


Jorge d'Alte

 

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