Tapei-te os olhos
com as mãos
esvoacei no teu pescoço
com murmúrios
senti tua boca arrepiar-se
num gemido ávido.
Rodeei teu corpo e face a face
vi esse brilho num olhar de mar
depois quis amar nas tuas coxas
brancas como um luar.
Sei que o tempo foi tempo
que a nossa juventude
se esqueceu de nós.
Não sei quantos sóis se quebraram
quantas noites ficaram com estrelas.
Pequenos nos sentávamos
perto do moinho com velas
girando sem tempo no tempo
Escrevíamos cartas de mel
com o sangue dos corações
palavras que te traziam
palavras que me levavam.
Hoje no nosso inverno sós
escrevemos ternuras com a voz
falamos com o olhar doce
aquecemos na lareira o nosso amor.
Um dia seremos estrelas
hoje olhamo-las com a saudade.
Jorge d'Alte
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