Nas trincheiras cheias de sangue
as veias incham de medos e adrenalinas
a cabeça rebenta com os estrondos das bombas.
Caem como chuva traçada com os tiros
O corpo rasteja nas lamas, fugidio
e o frio! o frio come-nos a alma
e a alma refugia-se nas paranoias das memórias.
Agarra-me amor quando o beijo se faz, se dá e os lábios se colam
o amor é a boia para sermos livres nesta guerra
é a paixão no meio da cordite no fragor da morte.
A água! essa água que nos bebe o calor
e o calor esmorece na alma na rigidez.
Deus! Deus escuta os meus medos
oro as preces de suplicar, dá-me a minha paz.
Corro na trincheira, um caminho cavado para nada
o perigo vem dos ares conspurcando o meu céu.
Cai o amigo do lado, cai esvaziado sem som.
Quem era, que mundos tivera, que segredos vivera
e a chuva, sempre a maldita cai em forma de neve.
Os pés! os meus pés sangram em podres botas
as mesmas botas que um dia marcharam num dia de sol
garbosos lá íamos rumo ao pôr do sol.
Esfarrapados e mortos de fome, disparamos contra os peitos
Meu Deus, matar porquê? Porque há monstros neste mundo?
Nós somos os Heróis! Os heróis que lutam pelo mundo
pela fé, pela lei, pela terra sagrada, pela paz, por ti meu Deus.
Jorge d'Alte
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