No século passado era vê-los
em cada cruzamento com sua mão erguida
calçada com luva branca.
Muitos chamavam-lhes cabeça de giz
pelo uso do seu capacete branco.
Muitas vezes pensei que me pudessem guiar na minha estrada.
que me pudessem parar quando saia errado nas decisões
e me mostrassem o caminho
não queria avenidas de soberba e nariz empinado
queria apenas uma simples viela onde na sua tortuosidade
pudesse sentir que eu era mesmo eu, as emoções
muitas eram de desespero e o horizonte enfunava na tristeza e frustração
outras eram sol o tal que dava vida ás almas
e aí eu era feito de alegria e a felicidade vivia nos meus olhos.
Um dia quando a madrugada se enfeitava de perolas e névoas
ela apareceu no meu caminho.
Vi sua mão calçada com luva branca como que me acenando.
Aí o tempo parou!
O meu caminhar solitário acabou.
Seguimos o novo caminhar a dois
e aí despedi-me do meu policia sinaleiro com um piscar de olhos
olhos que riam
olhos que choraram
olhos que a viram
olhos que acasalaram.
Jorge d'Alte

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