terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

PÁSSARO SEM ASAS

 





Hoje senti-me como um pássaro sem asas!
Como anseio por voar
para te encontrar no luso fusco
esvoaçar o meu amor
afagar-te as penas como se fosse pele
esgrimir o meu bico como beijo no por de sol.
Como anseio por te ter na minha alma
sentir o mundo e o tudo de quem me ama.
Voei tantas vezes dentro do nosso sonhar
tu e eu dançando como demónios junto ao luar
frementes de desejos, de paixão, de amor
por ti sou ave sem asas de voar.
Quando me abraças forte é quando sei que tudo está bem
que cuidas de mim como flor no teu regaço
que o teu olhar é meu no sorriso que te dou.
Hoje senti-me como um pássaro sem asas
já te disse sem falar, apenas as letras o disseram
as forças soçobraram na minha agonia
como uma criança sem mãe
deixado sozinho, chorando como as crianças choram.
Tu és e serás  a minha luz
e á tua volta voarei como traça, por isso bati asas
voei na noite e na madrugada até que te vi no chão da viela.
O candeeiro estalado de luz mortiça mordia o teu corpo embriagado.
Choraste quando pousei na pedra gelada e húmida
quando chamei teu nome na minha dor
quando te ergui nos meus braços e te levei, sem asas de voar.

                                                                                             
Jorge d'Alte


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