Está no nosso corpo o pó das estrelas
como está a água que nos deu a vida.
Nos milhões de anos passados como caravelas
numa madrugada linda como lama perdida
abri os olhos e berrei no meu choro.
Deus não quis saber se eu queria nascer
deu-me um caminho que percorro.
Sonhos tenho muitos a crescer
saltei horizontes para os encontrar
procurei teus olhos desamparado
até que um dia o amor me veio falar.
Cobicei esses lábios cheios de mel, descarado
pousei neles como abelha tonta
percorri teu corpo de pele como corcel
vi-te o intimo como quem faz de conta
te chamei minha, meu amor, meu moscatel.
Que mais poderia ter ambicionado
senão um amor que enche o céu
que conta as estrelas neste coração molhado
que escreve esses nomes na noite de breu
pois quando o vento voltar
trouxer o cheiro das flores nesse ar
eu talvez seja já pó estelar
morto de vida água a secar.
Jorge d'Alte
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