quinta-feira, 1 de agosto de 2024

O BEBÉ

O bebé chorava na alcofa.
Ao seu lado dois cães vigiavam-no.
Nem um nem os dois sabiam porque ali estavam.
Olhavam-se entre eles e aquela coisinha fofa
não compreendiam as lágrimas que atormentavam-no
ladraram em aflição, chamavam.
No súbito o chorar silenciou numa boquinha sem dentes
o bebé mexeu as mãozitas espantado
fez um beicinho desajeitado.
Sentados os cães abanavam a cauda pendentes.
Ganiram de aflição  quando o silêncio se quebrou.
O bebé chorava de novo quando se lembrou
havia fome na barriga
essa sensação feita amiga.


Jorge d'Alte

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