sábado, 19 de julho de 2014





Hoje acordei cinzento
sem imagens nos olhos
sem carícias nos dedos
com a sombra esquecida na voz
e um nevoeiro gélido na alma.
Há dias assim
na vida de um homem,
sem malmequeres a abrirem-se
inglórios esquecidos de alguém,
borboletas sem asas remetidas ao casulo                   
mariposas nos bicos de pássaros desasados
debatendo-se no atroz sem remissão.
Coração arrastado em pedras de cascalho,
peles esfoladas até ao tutano
no suplicio da dor.
Deixei por aí rastos sem cor
perseguidos por adamastores
gritos de náufragos noctívagos
e gorgolejares de morte.
Estive assim o dia todo
de cinzento revestido
como meio morto.

(Tudo porque acordei cinzento e não azul)                  



Jorge d'Alte




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