quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

SRBRENICA











A planície desenhava-se inquieta.
A dor subia por raízes subtis,
como pus esverdeado
espremido de postulenta ferida.
Agitava as ervas como brisa
em sussurros; eram vozes!
Vozes reprimidas e calcadas!
O chão abriu-se!
Cloaca negra de cheiros inúmeros; nauseabundos, putrefactos.
Deixou escapar gritos de tormentos guardados,
dedos ósseos despojados,
mãos que se deram na aflição
morrendo; Eram eles, os miúdos e os velhos!
E o mundo acordou como relâmpago de dor
olhos esmorecendo na nesga do estupefacto.

Tanta dor a doer por ali escorrendo!

Jorge d'Alte

Sem comentários:

Enviar um comentário

CANTA-ME UMA CANÇÃO

Canta-me uma canção. Canta-me esta canção de uma moça que desapareceu como truque de ilusionista diz-me; posso ser eu? Olho o meu corpo e só...