segunda-feira, 23 de março de 2026

LINDO COMO OS PIMPOLHOS


Minha luz era pequena e branca como a lua
era aí que guardava os meus sonhos e desejos
tivera-os no coração até que o sol veio caindo e pousou
Soube nesse prelúdio o que era a paixão.
Estava esperando pelo quê? Que ela viesse nua?
Ela veio vestida de vermelho na contra luz, com lampejos
sua alma era a sua armadura donzela que me amou
que me deixou nos lábios a sua pureza como religião.

Chorei a noite até pegar no sono
ela amara-me até doer de prazer
muitas vezes fui dormir tão feliz
ao ponto de não conseguir fechar os olhos.
Invernamos abraçados até ao outono
escrevemos palavras  com o olhar a ferver
depois nasceu o nosso aprendiz
moreno, chorão, lindo como os pimpolhos.


Jorge d'Alte

sábado, 21 de março de 2026

A LIÇÃO



Sentados na ponte de cordame extasiados
o pai conta a sua história de como a vida é.
Diz-lhe que o mundo não acaba ali nas montanhas
que o rio corre o seu destino sem escolha
mas que ele pode seguir o sol a luz da sua alma
e almejar ultrapassar o obstáculo da sua vida
o horizonte que  enxerga nunca acaba
que a ponte onde se sentam é perigosa
une o passado ao futuro que nos foi traçado.


Jorge d'Alte

quinta-feira, 19 de março de 2026

O FURO


 


Sou criança no passado
e vivo  o meu vício dourado de negro
O recinto está vibrante e os meus olhos babam-se.
Pai posso fazer um furo?
a gula estremece no meu papo
pego no picador metálico e escuto o som a rebentar
olho para a saída com expectativa e lá sai o almejado.
Pego no chocolate " coma com pão" já sem prata
depois fico todo lambuzado-posso fazer outro?



Jorge d'Alte

quarta-feira, 18 de março de 2026

SONHO ABSORTO




Linda noite estrelada
traz-me de volta ao meu mundo
deixa os meus pés me levarem
mesmo que as estrelas caiam
uma a uma na estrada viciada
e eu chute uma fumada rasgando
abrindo caminho para o sonho absorto.


Jorge d'Alte

segunda-feira, 16 de março de 2026

RAPARIGAS INOCENTES

 




Havia chuva
não era molhada
era feita de fogo que caía.
O céu não era o mesmo
não havia estrelas nem lua
nem raios de trovoada.
Havia gritos, aflições boiando,
por todo o lado o choro morria
nesta noite de fumos negros e fatídica 
para centenas de raparigas inocentes.


Jorge d'Alte

O FADO






Este foi o meu fado
foi cantado sob o céu de maio
as notas pareciam estrelas de ternura
os tinidos eram de brisas sibilantes
o xaile era a noite de breu
mas o encanto eram os olhos que cantavam
a boca de lábios carnudos com palavras
que do intimo nos davam as lágrimas
o sentimento que se infiltrava na pele, arrepiada.


Jorge d'Alte

sábado, 14 de março de 2026

OS ESCOLHIDOS

 


Enquanto escuto o cantar do melro
ouço os passos da primavera ecoando
subindo a ladeira do morro lá no oriente.
De tanta chuva me fartei e do frio nem um chilro
noites de sombrias nuvens trovejando 
raios rasgando os céus num peito dormente.
Não a vi nessa altura do meu trauma
a lua, a minha e a nossa vogava como virgem nevada
enquanto o melro cantava na folhagem esverdeada
e eu contava estrelas iluminadas uma a uma.

Eram memórias dos eleitos que viajavam
tinham partido com uma esperança no rosto
e agora eram pontos submissos entre anjos e demónios.
Joguei o jogo que eles ansiosos jogavam
desde a alvorada fresca até ao sol posto
depois havia sombras dos escolhidos; anjos ou demónios.

                                                                    
Jorge d'Alte

LINDO COMO OS PIMPOLHOS

Minha luz era pequena e branca como a lua era aí que guardava os meus sonhos e desejos tivera-os no coração até que o sol veio caindo e pous...