Enquanto escuto o cantar do melro
ouço os passos da primavera ecoando
subindo a ladeira do morro lá no oriente.
De tanta chuva me fartei e do frio nem um chilro
noites de sombrias nuvens trovejando
raios rasgando os céus num peito dormente.
Não a vi nessa altura do meu trauma
a lua, a minha e a nossa vogava como virgem nevada
enquanto o melro cantava na folhagem esverdeada
e eu contava estrelas iluminadas uma a uma.
Eram memórias dos eleitos que viajavam
tinham partido com uma esperança no rosto
e agora eram pontos submissos entre anjos e demónios.
Joguei o jogo que eles ansiosos jogavam
desde a alvorada fresca até ao sol posto
depois havia sombras dos escolhidos; anjos ou demónios.
Jorge d'Alte
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