Estou irritado e fulo
de um jeito que me desgasta
tudo passa sobre mim
as estrelas a lua as nuvens
as pessoas de amores dados
as mentiras os medos a dor
e não me dizem o que acham de mim.
Sofro no meu canto arredondado no talvez
injeto o meu sofrimento nas veias
navego no tempo com o vinho
e no nevoeiro dos olhos vejo-te a ti perfeitamente
linda flor silvestre de face trigueira
selvagem abrindo-se na alvorada
depois de recolher o calor dos linhos
o sabor da paixão na ponta dos lábios
a volúpia dos corpos abraçados
no deleite dos corpos nus e suados.
Afinal no ébrio do amor onde é que estás?
Desapareceste como a geada desaparece
deixaste um rasto de ti no perfume que evolaste
e eu parvo dos parvos não te segui.
Jorge d'Alte
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