Fumo o meu cigarro até a cinza pingar o chão
estou furioso contigo meu amor
brado ao teu céu onde me esperas
não foi isso o prometido
sim não foi isso,
vejo-te de branco com as violetas
vejo os teus olhos a falarem com os meus
Dissestes entre pestanejos que viveríamos juntos
-juntos- até aos fim do nosso tempo.
Puxo o fumo até me engasgar
numa fúria sem ódio ou raiva
não foi culpa tua, não foi culpa minha
deixaste-me ontem entre sombras da matina.
Parecia que dormias serena agarrada á minha mão
estava quente, ficou morna de repente
gelada quando gritei e gritei soluçando
já não sei o que disse o que implorei, as pernas tremiam
a cabeça estava vazia mas os meus olhos malandros
viam-te a correr subindo o morro entre a alegria
viam-te com o teu olhar cheio de luxúria deitada no trigo.
Vi-te partir entre chamas
como odiei este momento
Deram-me uma caixinha que escolhi, cheia do teu pó
há de ser lançada na onda de um mar
quando te juntar a ti nesse céu onde estás
onde as poeiras do tempo nos darão um novo corpo
onde não sei, talvez por aqui talvez noutra dimensão.
Jorge d'Alte
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