quinta-feira, 14 de novembro de 2024

A VOLTA DA LUZ

 

Olhos escusos, e agros
desmaiam na incerteza que paira.
Procuro esse Adamastor nos virares de esquina.
Ruge ventos, roendo ruas vazias onde ninguém é rei.
Caem secas essas lágrimas, despojadas da cor da sua vida.
A lei baralhou-a execrável, cruciando-a na barbárie do terror assumido.
Olhares perduram em janelas erguidas de cortinas fartas de rostos.
Joelhos caem e arrastam-se na míngua por ar,
E as veias incham na boca aberta, num corpo sacudido.
Tosse vermelho, no apego á vida que escorre esmaiada.
A máquina veio cheia de tubos inseridos, num arrepio de desdita.
Os olhos desgastam-se na visão 
que partiu mesmo na ponta do apetecível.
O fim está ali esticado na luz modorra da morte,
Como mãos erguidas numa prece que não se quer vã.
A luta não tinha terminado, pois a boca sorriu no esgar da vontade
O coração empunhou a sua espada, e no retalhar, a luz voltou.


Jorge d'Alte

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