Tirei um sonho da minha alma
como quem tira um coelho da cartola.
Era feito de corpo, lábios, paixão.
Procurei nele o amor numa noite calma
apalpei esse caminho como alma tola
deixei os lábios brincarem nessa boca de vulcão.
Tudo á volta não tinha eco
era prazer encalhado num beco.
Perdido fiquei na sombra meia
amor é só para que o semeia.
O sonho que tirara não fora do coração
apenas era um bocejo, uma desilusão.
Volteei nos lençóis como sofredor
estavam quentes, ardentes como a dor.
O seu perfume caçava-me os sentidos
insinuou-se cruciante, breves pruridos
levou-me ao inferno
nem um gesto terno
sorrisos cavaram na emoção
o ricto pérfido da ilusão.
Jorge d'Alte
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