Junto ao rio
o silêncio era calmo
perturbava-o apenas
o cair das folhas.
Antes houvera o frio
os dentes batiam como lendo um salmo
palavras degeladas como penas
bonecos na forma como olhas
mas não havia horizonte
não havia sonhos do de lá
havia passos para ir
havia tempos passados
havia memórias onde me prendi
esgotei e bebi dessa fonte
talvez raízes cortadas para um xá
infusões de sentires do advir
os olhos traíram esgotados
as lágrimas eram secas e eu vendi.
Vendi o meu corpo na esquina
vendi o ódio a quem me possuía
raivas enraivecidas nas sombras
no ato, nas mãos monstruosas que vinham.
Fui um deserto ofegante de gente misógina
foi sentir a alma murchar quando me ia
foi rastejar pelas penumbras
fugir desses passos atrozes que se adivinham.
Junto ao rio
o silêncio era calmo
perturbava-o apenas
um corpo lívido; desfeito.
Jorge d'Alte

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