Corro contra o tempo
Como raposa atrás do coelho.
Deixaste-me um dia abandonado e sofrido
numa estrada perdido ao sabor da sorte.
Aqui estou eu tentando não chorar
não quero que lágrimas te possam ocultar
pois o teu coração vive longe no outro lado do mar
e eu navego nas velas, nas aragens e na tormenta
andando ás cegas
voltas extensas como ondas nos céus
andando nas ansias
por ti, um amor que deixei
quando o sol era manhã
e a geada me enregelava sem amor.
Sei que verei o teu rosto outra vez
num nascer de sol onde estás
que gritarei na terra e no mar teu nome de pétala
uma flor que um dia colhi entre fumos e bebidas.
Amei-te nessa noite
na praia despido
nunca esquecerei tua pele de arrepio
teus lábios cheios de desejos.
Navego nu num icebergue
num mar de tristeza e gelo
eu sou apenas um apelo
despojado de tudo o que por mim foi amado
e agora escorrido na dor frustrante
adormeço cego, esperando a saudade.
Jorge d'Alte
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