quinta-feira, 26 de junho de 2025

ADRENALINA


Aqui vamos
as pernas correm com os pés a bater
a escola acabou e depois de lanchar
é tempo de brincadeira.
Na rua gritamos
ecoam as alcunhas ó pá tens de ver
tocam-se ás campainhas sempre a berrar
era a adrenalina chocalhando porreira.
Passa a bola
salta á corda
atira a malha
esse berlinde é meu.
joga para a tola
lá vamos como horda
vem o golo que me calha
vem a macaca salta como eu.
Hoje a adrenalina está nas pontas dos dedos
as bocas cerradas não têm risos
nos olhos percorrem medos
há hackers; jogam sem sisos.

Onde está a amizade
que valores tem esta mocidade
e o amor sem rosto
numa foto ao sol posto
Que linda que és
da cabeça até aos pés
No café da esquina está o encontro
a tua boca abre-se de espanto um monstro.
Choras na rua sentes-te enganado
as lágrimas acusam-te deste passo dado
O coração seca como flor fresca
já não sente torna-se uma forma burlesca
não há alegria
é uma sangria
há a tristeza
este tempo reza.
Eu para os meus botões digo
o meu tempo é que era
era só adrenalina, era.


Jorge d'Alte








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