Que aconteceu neste dia de primavera
quando a mente estalou acordando-me
enfiando-me num sonho que não o era
e lá ia eu vagueando ao sabor das luzes
não havia brisa nem o temível vento do norte
nem a cacimba do velho junho.
O sonho não era meu mas do pesadelo
vogava no ar atado como um balão
tinha dentro de mim uma confusão que me mirrava
o corpo tremia não de medo mas de paixão.
Como isto era possível se o meu olhar ainda não se colara a outro
estava lá na minha confusão sem rosto sem lábios só emoção.
Caraças tenho que acordar!
Fui sorvido num buraco negro e aí vou eu
gritei sem som sem eco mas com indignação
e lá estava o rosto sem face sem olhos mas com lábios.
escolhi os vermelhos poi eram um inferno sem fogo ateado.
Bruxuleou e pegou em mim rodopiou no ar assim do seu modo
Vi sair a voz concava através dos dentes brancos como linhos
e foi nos linhos que acordei pasmado.
Que se passou meu Deus?
Alguém me abanou com olhos no rosto e me abraçou
rasgou a minha alma tentando extrair o amor que lá escondia
por isso me beijou até ser eternidade.
Jorge d'Alte
.webp)
Sem comentários:
Enviar um comentário