sábado, 22 de fevereiro de 2025

AS CONVERSAS DO AVÔ


Já aparecia a penugem do bigode 
quando sentado escutei palavras
O avô falava comigo sentado num banquinho
eu ficava-me pelo pequeno pipo de carvalho
ao lado um copo de leite uma caneta na mão e um caderno.
Falávamos de coisas da vida e do pagode
de amor e amizade, respeito e outras lavras
Contou-me como se apaixonara o seu coraçãozinho
num dia de primavera á beira do rio como paspalho
de olhos abertos, sem  voz na garganta, mas terno.

A água caía fresca nos godos
cantando a sua canção infinita
Eram cabelos ruivos encaracolados
que baloiçavam atados com fita.
Voltou-se surpreendida
e o surpreso fora ele
A sua tez escura cheia de vida
uns olhos verdes e uma pele
Era luzidia acetinada era bela
a voz clara e uns lábios de fogo.
Ele estava parado ali logo
à toa disse o seu nome, Martim
a Avó - chamo-me Matilde, foi assim
Sentados já no entardecer num lindo penedo
Pediu-lhe um beijo que caiu doce, sem medo.


Jorge d'Alte


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