sábado, 15 de março de 2025

AMIZADE


Foi aos seis anos
que soube o que era amizade.
Estávamos na escola e eu triste
a avó partira sem dizer nada
não via as letras os números
só a névoa das lágrimas.

Eramos errantes ciganos
cheios de sonhos e realidade.
Gritei na surdina - avó porque partiste
uma mão suave e doce veio pela calada
afagos e abraços apertaram-me sinceros
houve sorrisos temerosos e um jorro de lágrimas.

Lágrimas divididas, choradas pelos dois
e do meio deste mar vieram palavras
ternuras e carinhos e por fim uma amizade.
Muitos anos depois havia de ser eu a abraçar
um corpo gelado sem brilho no olhar.
murchei o coração e as lágrimas eram minhas.

As saudades, as tristezas vieram depois
A amargura definhou-me em várias lavras
e hoje olho as estrelas sinto a nossa irmandade
imagino a tua face de sorrisos que tento caçar
oro por ti, por nós pela amizade que nunca irá findar
corro contigo no imaginário num tempo em que me abraçar vinhas.


Jorge d'Alte









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