Foi quando estava enterrado em tristezas
deambulando inerte por aí, não ousando
pois havia uma rapariga de saia rodada
cabelos de fogo que incendiavam alvoradas
que mirrava o coração num mundo de incertezas
só havia esse olhar languido criando
esta inconstância no meu peito, rasgada
queria namorá-la mas sentia o medo em carradas.
Conheci-a num dias de setembro sem por do sol
caminhando na praia molhando os pés na espuma
abdiquei de viver nesse momento, de boca aberta
uma beleza na contra luz, outra no oposto
como ratinho, como felino, como caracol
avancei pelos escolhos das pedras como um puma
E ela do seu jeito saltitava, viu-me da certa
pois sorriu, tudo se fundiu como sol posto
Que faço agora depois de tantos dias sem a ver?
minha alma só quer morrer
as saudades picam o meu peito
as lágrimas espreitam mas não caem
são pontas de um sentir que se despenha
são bocados e pedaços de sofrer.
Via hoje sentada no meio do trigo e da aragem
Havia sorrisos no seu rosto, como lenha.
Levantou-se com a vontade de quem gosta
Abraçámo-nos num imenso coração
mordemo-nos em beijos agarrados
beijos colhidos no deleite num corpo tenso de sedução
Queres namorar comigo? Ela gosta
chora-se de emoção
tecem-se nós bem amarrados
havia algo que ainda não vivêramos, o mundo da paixão.
Jorge d'Alte
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