sábado, 29 de março de 2025

JOGANDO AOS BERLINDES


Foi numa tarde pachorrenta
com um sol de calor arreliador
com um vento inconformado
pois esquecera-se das nuvens alvas
que adormecidas vigiavam.
Encontrei nesta tarde birrenta
três crianças no redor
acenaram para mim num circulo formado
reparei nas suas cabeças calvas
nos berlindes que jogavam.
Entrei no jogo lancei os berlindes emprestados
entre os risos abafados
tanta alegria naqueles olhares
mas tanta angustia escondida se bem reparares.
Jogamos até a noite nos vir buscar
amei-os - como não os podia amar?                          
                                                     
quando soube pelas suas vozes
que os seus corpos estavam a mirrar
que por vezes sofriam dores atrozes 
que engoliam o seu gritar cruciante
que viveriam numa luta esgotante.
Abraçamo-nos nas minhas lágrimas
beijamo-nos não em adeus
numa amizade cheia de rimas
Olhei o alto inconformado, porquê meu Deus!


Jorge d'Alte
  




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