Hoje sou como uma folha
arrancada e dorida
vagueando pelo vento
pelo rio.
Sou uma folha caduca que ninguém olha
que vai e vem sacudida
alguém sem alento
Desespero na mágoa de te ter perdido
de não ter conseguido destrinçar
a tua alma era como um novelo sem fio
que eu deixei escapar pelos dedos.
Foste aquela que eu amei com sentido
aquela que me caçou com um olhar
lanço a mim um desafio
que acabe com os meus medos.
Já a noite me tinha vindo buscar
e o sol marinava no mar angustiado
quando te encontrei sentada ao pé do moinho
olhando
Teus lábios vermelhos eram tentilhões a cantar
uma voz de cristal num ébrio mastigado
chorava devagarinho
soluçando.
O abraço que lhe dei deixou-a a tremer
senti o seu seio enrijecer seu corpo a colar
Os meus lábios caíram de sede
de paixão.
sou agora um fruto a comer
o drama do sussurrar
bocados de nós que caiem na rede
sou a sua emoção.
No céu arenoso a lua catita
na ponta dos nossos dedos o afagar
nas mentes o coração
na alma o amar.
Jorge d'Alte

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