Vivia no campo ao ar aberto
em frias madrugadas ao sol desperto
nas intempéries rasgando os céus roxos
em intimas conversas de paradoxos.
A sua cabeça careca martelava lá dentro
tenho que emagrecer! esta dor que esventro.
Na sua casa de pedra gastada
numa cozinha bem abastada
fazia as refeições remexendo os tachos
mas a gula vespertina caia aos cachos.
Um pouco de presunto
muda de assunto
pede-lhe a mente
com ar inocente
acrescenta- Ah! meu chouricinho,
de bucho mais um pouquinho.
Depois corria para fora
levando o almoço feito na hora.
Sentava-se na margem junto ao rio
dava ao dente de fio a pavio
Um arroto deveras distinto
apelava no paladar a um pouco de tinto
De bochechas avermelhadas
do tinto em camadas
adormecia nos trigais
a sua mente era como a dos pardais
sonhava rojões á moda
com a barriga a andar á roda.
Soltou um ai que me cago
agarrou nas calças correndo; fora o preço pago.
Jorge d'Alte

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