Lá vêm elas sob as vagas
a cruz gravada nas velas enfunadas.
Na areia espumosa pés esperam há olhares
nervosos, ansiosos caindo de joelhos em oração
os xailes abanam no vento deixando as vozes cantar.
Ó mar que tudo tragas
trás meu homem de volta nessas naus sagradas
não queremos riquezas vénias, apenas o que achares
As cordas restolham pelo ar num turbilhão
caiem nas pedras do cais com a nau a encostar.
Lá dentro os hurras gritam triunfantes
Homens mais velhos do que dantes
choram de alegria clamam pela sua amada
Alguém chora na areia perdida e acabada
o marido tinha caído borda fora na borrasca
afinal as naus eram uma espécie de casca
navegando nos mundos enfrentando monstros vendavais
levando a Fé nos pedestais.
Jorge d'Alte

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