sábado, 5 de abril de 2025

PERDA



Olhei o céu de breu
a cor com que a minha alma se vestia.
Chamei os ventos e pedi
que me trouxessem o meu romeu
ao mar e ás areias roliças de invernia
gritei a minha angústia a minha mágoa e cedi.
Chorei as lágrimas                                                  
                                   

tremi na fala quando o vi
enfunado nas ondas de emoções
como cavaleiro em esgrimas
lutando contra o desdém com que o perdi 
falando nos sussurros que enchem os corações.

Á minha volta voavam os demónios zaragateando
catando os meus beijos e enjeitando
roubando-me as palavras arrependidas
baralhando-me as memórias consentidas.

Fechei os olhos de saudade
afinal tinha havido felicidade
então porque a desperdicei
naquele dia sombrio em que me afoguei.
Era ódio dentro do amor que avassalava o peito
eram olhos cegos de raiva a eito
e assim nas sombras dos remorsos que senti
peço aos deuses aos anjos que me levem a ti.

                                                                     



Jorge d'Alte 

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