e tudo me parecer enorme
de ir para a escola no meio de tantos
de ter sonhos e amizades
de corrermos atrás da bola uma esfalfa
de corrermos uns atrás dos outros na apanha
os medos levava-os nos olhos
tudo era novidade aos molhos
e o sonho já era dar a mão e beijar
as palavras eram poemas escondidos
e os sorrisos! os sorrisos ficavam na alma
eram gritos! Gritos de quem ama
lembro-me de ser pequeno
de roer as unhas por a ver
eramos Heróis! Eramos gigantes ao adormecer.
Depois da noite vieram madrugadas
belas e geladas de pérolas de orvalho
e no natal eramos mais altos
Trocávamos letras com corações em cartas
Eramos heróis quando na festa sacávamos
a menina dos nossos olhos, pois os olhos tinham o olhar
e os braços dançavam abraçados no corpo.
Era um novo mar que se abria uma boca de luar que nos sofria.
Lembro-me desses tempos sem solidão
das noites brancas a boca buscando a seiva de amar
Eram gritos! Gritos de quem ama
lembro-me de ser pequeno
de roer as unhas por a ver
de sermos Heróis
mesmo que por um só dia
dela estar á janela as cortinas a adejar
da ansia do coração
esperando apenas por um simples acenar
Eramos Heróis
mesmo só por uma noite.
a luz a apagar-se de mansinho
o adeus do seu acenar.
o vazio que levávamos para o crepúsculo matutino
Eramos heróis no despontar
Lembro-me de ser pequeno e sentir
a mão rosada no afagar no sonho sonhar
que era rei
que ela era a minha rainha
que eramos apenas heróis na nossa cantiga.
Jorge d'Alte
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