Hoje fiquei possuído pela nostalgia!
Na solidão meio escondido pela névoa
havia um banco deslavado com pés de musgo
havia frio no ar e as arvores estavam nevadas, inclinadas.
As pequenas hastes de vento soprado onde as aves não pousam
cortavam-me as faces como se tivessem picos
zuniam nos ouvidos cantarolando músicas sem melodia
a voz morna de um pássaro algures piou lúgubre.
Fora ali que muitas vezes me encontrara com os pensamentos
que soubera sonhar o mais lindo dos sonhos de adolescente
a cabeça a andar à roda
beijar uns lábios
uns lábios húmidos de carinhos
sentir a fragância a encantar
oh meu Deus que foi isto!
as borboletas a adejar na barriga eram intrusas
sentir-me a amar
vertendo as emoções
como cataratas
num mar
esse mar louco cujas ondas vão e vêm
tragando-se na pele areada em arrepio
espargindo-se num jorro de murmúrios de amar.
Jorge d'Alte

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