sábado, 10 de janeiro de 2026

ESSES OLHOS NEGROS

 




Olá minha velha amiga
olá sombra onde vivo
vim falar vazio de novo contigo
porque uma memória se aproxima
doce, alegre, suavemente.
Em sonhos agitados eu andei sozinho
por calçadas de pedra em ruas estreitas
que amordaçam os corpos como luz na lâmpada.
No frio húmido como folha voando sem destino
estavas tu
tu que me encantaste com os teus olhos.
Ai eu amei teus olhos negros
amei esses olhos ternos
profundos poços de mistérios
rotas, traços que me levaram ao inferno
de te ver e não te ter.
Loucos disseram que eu não sabia
como amar esses olhos negros
como deixar a minha sombra
onde os amargos traziam a tristeza a solidão
esse limbo onde escondo as saudades as emoções.
Mas eu amei esses olhos negros
eu amei teus olhos negros
num sonho que é só meu
dei os meus braços em abraços
para que te pudesse agarrar; desfrutar.
Bailamos na neblina dos sonhos
entre o fechar de olhos e o acordar
beijamos as nossas almas
e as pessoas curvaram-se
afinal eu sabia amar
amar esses teus olhos negros 
e as palavras foram ditas
as lágrimas choraram e partiram-se
coalhando no sabor do beijo
sussurrando nos sons do silêncio
até que inexoravelmente o tempo se gastou
e os teus olhos negros se derreteram, no acordar.


Jorge d'Alte







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