quinta-feira, 24 de março de 2022

INDIFERENTES

O pinga pinga maluco
Tirlintava meus dentes
lavando-me dos olhos nus
a tristeza a mágoa a desolação.
Era a primavera de mil chuvas
era o quebrar do gelo das almas
era a esperança nas cores que advirão
a alegria, o calor o amor
Ao meu lado encostada no meu ombro
partilhando o momento insano os olhos dela
absorviam com humildade o canto das aves
o zumbir das abelhas o acasalamento dos melros
a paz da brisa soalheira.
Os lábios não se deram
apenas os corações se amaram indiferentes.


Jorge d'Alte

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