Eu estava mirando o céu
havia estrelas por todo o lado
talvez a lua com o seu fato
lá estivesse cuscando
quando o mundo abanou.
A desgraça tombou, poeiras em véu
e o estrondo num som abafado
trouxe gritos e a ponta de um sapato
levando-me gemendo um apoio buscando
o meu mundo acabou, espatifou-se; acabou
Cidades caíram, qual baralho de cartas
havia feridos de sangue, havia horror na dor
pessoas perdidas de um lado ao outro
como podia haver lágrimas se os olhos não carpiram
se a voz se sumiu do choque flagrado.
Ouvem-se sirenes tocando fartas
ouvem-se latidos e o voo do condor
pressagiando a morte dessoutro
veio de novo o ruido e o tremer e todos fugiram
sentado olho o céu e não o vejo; cansado.
Só um desejo; esperança
que haja gentes e crianças salvas
que as mentes não adormeçam
que o corpo reaja e semeie novos sonhos
que a realidade seja esquecida.
O futuro será a tua vingança
que não sejam estradas calvas
novas vidas se entrelaçam e começam
sabores agridoces de medronhos
mirando o céu vi a minha estrela perdida.
Jorge d'Alte




