terça-feira, 30 de junho de 2026

TERRAMOTO

 


Eu estava mirando o céu
havia estrelas por todo o lado
talvez a lua com o seu fato
lá estivesse cuscando
quando o mundo abanou.
A desgraça tombou, poeiras em véu
e o estrondo num som abafado
trouxe gritos e a ponta de um sapato
levando-me gemendo um apoio buscando
o meu mundo acabou, espatifou-se; acabou
Cidades caíram, qual baralho de cartas
havia feridos de sangue, havia horror na dor
pessoas perdidas de um lado ao outro
como podia haver lágrimas se os olhos não carpiram
se a voz  se sumiu do choque flagrado.
Ouvem-se sirenes tocando fartas
ouvem-se latidos e o voo do condor
pressagiando a morte dessoutro
veio de novo o ruido e o tremer e todos fugiram
sentado olho o céu e não o vejo; cansado.

Só um desejo; esperança
que haja gentes e crianças salvas
que as mentes não adormeçam
que o corpo reaja e semeie  novos sonhos
que a realidade seja esquecida.
O futuro será a tua vingança
que não sejam estradas calvas
novas vidas se entrelaçam e começam
sabores agridoces de medronhos
mirando o céu vi a minha estrela perdida.


Jorge d'Alte


domingo, 28 de junho de 2026

ERAM TEMPOS


Eram tempos de miséria
na rua as vendedeiras sós
as malas levavam pessoas
sem futuro de vida
sem casas que escondessem a sua vergonha
forçada e calcada pelas coroas
de reis torpes.


Jorge d'Alte 

sábado, 27 de junho de 2026

OLHA O PICOLÉ


Olha o picolé!
Babou-se a gula
quando o chiar de rodas na ladeira
apregoou.
Era o picolé
o geladinho que se engula
refrescante de sobremaneira.
Oh! Acabou!


Jorge d'Alte

sexta-feira, 26 de junho de 2026

AMOR SEM FIM

 




Tu és a força silenciosa que raramente vemos
apenas sentimos na pele que se arrepia
quando esses lábios me murmuram o belo que tu és
e destes tudo por mim em cada lágrima que escolheste esconder.
Mantiveste-te firme em cada tempestade que vivemos
mesmo quando a estrada era longa e não se via
e me levantavas dos fracos trazias a paz no revés
não não eram apenas meras palavras em cada dia, era novo amanhecer.
Fica por perto meu amor quando foges e eu te sigo
porque vida sem ti não tem sentido é apenas falácia
aguenta, há sonhos no dia invertido, eu digo
na noite parda as sombras são desejos, minha audácia.

Amo-te demais
bicadas amadas de pardais
fazem-me em lágrimas no coração
porque o meu amor tu tens-lho na tua mão
e eu sou feliz no teu encanto
mesmo quando no teu abraço me desfaço em pranto
porque te amo assim
num amor sem fim.


Jorge d'Alte

quarta-feira, 24 de junho de 2026

MEU SONHO DOCE

 



Lá na serra
mais perto da lua
vejo-a mas não a sinto.
Está imaginada em sonho vivo
como marinada de sentimentos
mas um sorriso dela emerge
num olhar que se ama
numa boca  que se imerge
num delírio tão bom que nos desmaia.
Depois é cair e cair
abrir os olhos e chorar
Não está mais ali!
Partiu com o desfolhar
calcorreando invernos de caminhos.
É na memória que a vemos
límpida e bela num sonho doce.


Jorge d'Alte

terça-feira, 23 de junho de 2026

AS SALINAS


Como manto branco as salinas
refletem a luz que cega.
As canastras de verguinha são sinas
de corpos de quem carrega
Traçam na brancura trilhos de passos
caminhos de destinos entrelaçados
que nos levam nas cantigas e abraços
nos brejeiros lábios espicaçados.
Xoque xoque xoque e lá vão eles e elas
palmilhando na alma, cansados e cansadas do labor
mas os sorrisos prometem e auguram telas
que desfilam aos nossos olhos, mesmo com o sal e o seu ardor.



Jorge d'Alte


segunda-feira, 22 de junho de 2026

CHAMÁSTE-ME

 



Chamaste-me
amor vem cá!
Beijaste-me
num doce olá.
Deste-me a mão
num arrastar
levaste-me então
para me amar
A areia fina e dura
era a nossa cama
o olhar era candura
os lábios eram chama.
Cá dentro era confusão
correntes que me levavam
não sei se era a emoção
só sei que me arrancavam
e sentia perfeitamente
o desejo a subir, subir
e então perdidamente
entreguei-me nesse fluir.

jorge d'Alte

TERRAMOTO

  Eu estava mirando o céu havia estrelas por todo o lado talvez a lua com o seu fato lá estivesse cuscando quando o mundo abanou. A desgraça...