domingo, 20 de abril de 2025

PASSOS


Eram passos que ouvia
os meus atrás do dela
eram como pingos de chuva que caía
soprados pela ventania da aguarela.
Só consegui alcançar a sua sombra
pintá-la já o anoitecer se mostrava lá
era o sítio onde ela vivia como quem assombra
o ninho onde seduzia quem passos trazia até lá       

Foi esta a minha prisão
fora uma mordida no coração
e agora como zombie sou passos
passos que que perseguem passos
os meus desesperados e os dela
inchados de amor ilustrados na aguarela.


Jorge d'Alte

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