quarta-feira, 20 de maio de 2026

A MIÚDA

 



No cimo do montinho
uma miúda
acenava o lencinho
como quem saúda.
Lá bem em baixo o rio
corria como o sangue
calafrios de frio
boca exangue.
O rapaz tremia
olhando o seu sol
tanta saudade com ele ia 
tantas vicissitudes longo rol.
Viera no barquinho
que aportara ali
todo branquinho
nele o mundo corri.
Lá estava ela a acenar
subi o caminho
para a beijar
para abraçar num miminho.
Sentámo-nos os dois a olhar
li no seu rosto um grande amor
pedi a sua mão num breve corar
esvaiu-se nesse instante toda a minha dor.


Jorge d'Alte



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