Abra essa carta!
Porque é que não a está a ler?
Não seja cego
tudo o que faz não é suficiente.
Quem eu sou ofende-te?
Sinto pena e tristeza um pouco de raiva até
mas os sentimentos são assim, voláteis
como os cheiros que persistem nos ventos.
Foste uma brisa que se enrolou em mim
debaixo da lua fascinante de meia cara
disseste que me amavas segurando-me a mão
afinal era de areia pois foi-se escorrendo
até só ficarem os ossos e as unhas uma múmia de tristeza
desilusões as mágoas e a saudade dos beijos.
Abra essa carta!
Foi escrita com lágrimas, esvaido que foi o coração.
Não sejas picuinhas!
A tua razão é a minha desilusão.
Sinto que ainda posso vencê-la
vejo o teu rosto mudar agora que a lua se foi e são só nuvens
mas as estrelas se juntaram numa luz única
chamamos-lhe amor
e as letras com que escrevi a minha dor
são as algemas que nos unem de novo
num novo sonho de destino.
Jorge d'Alte
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