Que a noite de amanhã
seja a de hoje, feliz.
A meio da noite adolescentes cantaram
canções de amor para meninos e raparigas.
Os olhos dilatados como maçã
transtornavam almas e por um tris
se passavam para lá das luzes que os encantaram
no céu aberto e campos de espigas.
O riso ria-se alto sem tino noutro destino e era lá
onde a vida se curtia que batiam os corações
não era de amor, não, eram batidas psicadélicas
que roíam as emoções definhando.
Era a perdição extenuante e pérfida para já
a morte esfregava as mãos de satisfações
havia sempre pessoas que caiam, angélicas
e o céu amarfanhava-as surripiando.
Isto foi no meu sonho e tudo parecia o que parecia
mas a vida vinha de seguida e acordava-me
já a manhã ia fresca e louçã e o dia crescia, caçava a noite
e as luzes psicadélicas eram perolas de néons
os sentimentos eram alguéns que rumavam de dia
sem sombras que escondessem as vergonhas, apavorava-me
pensar que o sangue se ebuliria, adrenalinas e o açoite
que de súbito eram excrementos de sons.
Havia esquinas que se arredondavam
onde narizes escorreitos snifavam
onde a loucura possuía pois a noite já se advinha
zombie de uma vida que já tivera e agora não tinha.
Jorge d'Alte

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