Numa manhã quando o sol se vislumbrava
ouvi o meu amor cantar junto ao ribeiro.
Ai nunca me enganes, nunca me deixes
como poderias usar uma pobre jovem assim
lembra-te dos votos que de verdade fizeste
carinhosamente tão perto de mim.
Agora pergunto-me como posso viver sozinha
porque me deixaste a suspirar e reclamar
porque devo permanecer aqui na tristeza
nesta aspereza que me engole a alma.
No bosque além, tu e eu jogamos
beijo e namoro, alegria e paixão
sorvemos néctares numa perfeita união
e agora para desespero meu fazes batota.
Ai do meu coração que na manhã traíste
golpe surdo porque não escutei só o senti quando feriu.
Em breve vais encontrar-te com outra moça bonita
solteira para a cortejares durante um tempo
variando sempre, transformando e mudando
sempre em busca de uma qualquer garota nova.
Canto as minhas mágoas e lamentos
canto-as na ribeira cá em baixo ao pés dos seixos.
Ai porque me enganastes, nunca me deites fora
morro na erva á tua espera morro no terror que me desespera
como podes usar, uma pobre jovem assim.
Beija-me, não no adeus mas no reencontro
abraça-me como da primeira vez
sente o meu peito, e amor e desejo que esperam por ti.
Jorge d'Alte

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