Eu sei,
os gogos do caminho
não impedem a água de passar,
a água canta então a sua canção
sons tão bonitos, mas
não têm sentimento, apenas é o que é
som
restolhando se insurgem nos contratempos
e ruge quando em cataratas cai.
Eu sei,
porque gritei o desespero
as tristezas bulem-nos na alma
o amor fugiu
o rosto alterou-se, mirrou
não sorriu e sofreu,
o que era a dor eu não sabia
ouvira falar
julgava eu nas bocas tontas de tantos.
Então?
Porque me dói o peito assim?
Ah!
Disseram-me que o meu coração
esse que me dói no peito
é que faz de mim um guerreiro
carrega o fardo
lhe dá a coça.
As mágoas soltaram-se
juro que não eram de lágrimas
eram olhos com ciscos
que ardiam em feridas.
Grisalho e sonolento à boca da lareira
cambaleio
revivo, pois
Eu sei,
muita gente morre de amor
como é isso possível, mas
sinto
são de saudades que morro?
mas que é isso das saudades?
este vazio corroí-me.
Cerro os olhos na minha cara
quero sorrir e não posso
estendo a minha mão apalpando,
negro,
negro por todo o lado como a noite
é na noite que eu te sonho
as memórias amam-me contigo
e eu então,
sei,
Jorge d'Alte
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